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Economist diz que protestos políticos em Angola têm tendência para aumentar

A Economist Intelligence Unit (EIU) considera que os protestos políticos em Angola deverão aumentar e que o Governo deve continuar a "reprimir duramente" tudo o que considere ser uma ameaça à estabilidade ou à sua hegemonia.

Reuters/Arquivo

Reuters/Arquivo

© Stringer . / Reuters

"O Governo deve continuar a reprimir duramente tudo o que considere ser uma ameaça à estabilidade ou à sua hegemonia", escrevem os analistas da unidade de análise da revista britânica The Economist, acrescentando que "a sensibilidade aos protestos está a aumentar durante o ambiente económico difícil, com o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder, e os serviços de segurança envolvidos nas repressões, detenções preventivas e julgamentos mediáticos dos seus críticos".

Na nota de análise, enviada aos investidores ainda antes de o ativista Luaty Beirão ter terminado a greve de fome, e a que a Lusa teve acesso, alerta-se que esta dureza pode ter um efeito contrário aos interesses do Executivo: "os movimentos de protestos são relativamente pequenos, ainda que estejam a aumentar, mas a intolerância do Governo à mais pequena crítica, e o crescente catálogo de alegações sobre crueldade policial, podem levar a uma instabilidade sustentada".

Na opinião da EIU, "a raiva surge do estado de fraqueza da economia e é alimentada pela falta de mudanças políticas", e a nota de análise lembra que "José Eduardo dos Santos, que tem sido o chefe de Estado desde 1979, e segundo a Constituição adotada em 2010, pode, em teoria, permanecer no poder até 2022".

Na análise sobre as tendências políticas, a EIU considera que o Executivo vai "continuar a procurar promover o crescimento estável e inclusivo e a criação formal de empregos, bem como programas importantes sociais e de infraestruturas, apesar dos constrangimentos impostos pelo ambiente de preços baixos do petróleo, que tiveram um impacto substancial na receita pública".

O objetivo, adiantam, é "fomentar o desenvolvimento de médias empresas que possam gerar emprego e transferir competências para os angolanos", e o Governo continua "empenhado em aumentar a produção local, que tem dificuldades em competir com as importações mais baratas".

Para a EIU, "é questionável, no entanto, que os produtores domésticos consigam ser capazes de estar à altura da procura crescente por causa dos constrangimentos do lado da oferta", materializadas num conjunto de dificuldades que ficaram ainda mais expostas com a descida dos preços do petróleo e a consequente quebra na receita do Estado.

O desenvolvimento de um setor privado dinâmico, um dos objetivos da nova lei do investimento privado e do código do trabalho, "vai continuar a ser dificultado pelo capital humano deficiente, fraca regulação, ineficiente geração de energia, altos níveis de corrupção e esmagamento do investimento privado pelo setor público", conclui a EIU.

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