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Human Rights Watch denuncia violência policial no México

Agentes da polícia federal mexicana terão executado ilegalmente pelo menos 11 pessoas durante dois tiroteios em 2015 no estado de Michoacán (oeste), refere um relatório hoje divulgado pela Human Rights Watch (HRW).

© Henry Romero / Reuters

Diversas testemunhas destes dois sangrentos acontecimentos, em que foram mortos 50 civis, declararam "ter visto polícias a executar civis não armados durante os disparos, e quando as situações já estavam controladas", indicia aquela organização não governamental (ONG) com sede em Nova Iorque.

No entanto, "a reação do Governo foi negar o recurso ilegítimo à força e limitar-se a apresentar as vítimas como agressores", acrescenta o relatório.

"Nenhum polícia foi preso" pelo que sucedeu em Apatzingan em 06 de fevereiro, onde oito civis encontraram a morte, e em Tanhuato em 22 de maio, durante uma troca de tiros que provocou a morte de 43 pessoas, incluindo um polícia, precisa o relatório da HRW.

Uma fonte da Comissão nacional de segurança, contactada pela agência noticiosa France Presse, recusou qualquer comentário.

A tragédia de Apatzingan ocorreu após uma concentração de civis, membros de milícias de autodefesa que protegiam a população contra o cartel narcotraficante dos Cavaleiros Templários frente à câmara municipal da cidade.

Uma testemunha citada pela ONG afirmou que os disparos eclodiram após a manifestação, e que os polícias abriram fogo indiscriminadamente, matando dois civis que estavam por terra.

O Governo mexicano afirma que os manifestantes abriram fogo, mas a ONG recebeu um vídeo de vigilância proveniente das mesmas autoridades em que se confirma que os civis não estavam armados.

Em Tanhuato, uma comunidade de 15 mil habitantes, 42 civis e um polícia foram mortos durante uma operação da polícia.

"Um investigador dos direitos humanos", que interrogou três detidos que assistiram à cena, afirmou à ONG "que após o tiroteio inicial, diversos polícias executaram pessoas não armadas que tentaram escapar dos locais onde estavam a ser vigiadas".

No total, segundo as testemunhas, nove civis foram mortos de forma abusiva neste incidente.

As forças policiais e militares mexicanas são regularmente acusadas de abusos e de violência.

Recentemente, sete militares foram detidos pela presumível execução de oito civis durante um confronto que provocou 22 vítimas em junho de 2014, mas quatro dos acusados foram depois libertados por falta de provas.

Lusa

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