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Médicos sem Fronteiras exigem explicações à Arábia Saudita por ataque a hospital no Iémen

Os Médicos sem fronteiras (MSF) pediram esta quinta-feira explicações à coligação árabe conduzida pela Arábia Saudita no Iémen, sobre o bombardeamento de um hospital da ONG ocorrido na segunda-feira em Haydan, norte do país.

Esta foi a segunda vez em um mês que um edifício onde atuam os MSF foi atingido. (Arquivo)

Esta foi a segunda vez em um mês que um edifício onde atuam os MSF foi atingido. (Arquivo)

© Muhammad Hamed / Reuters

"O hospital foi atingido por ataques da coligação, para nós não existe qualquer dúvida", declarou Isabelle Defourny, diretora das operações dos MSF durante uma conferência em Paris.

"O que pedimos é que a coligação reconheça que este bombardeamento ocorreu, nos explique o que se passou, e se comprometa em facilitar o envio de ajuda humanitária", sublinhou Defourny.

"O bombardeamento teve lugar na segunda-feira, 26 de outubro, entre as 22:30 e as 23:30", assinalou Laurent Sury, responsável pelas urgências nos MSF, precisando que entre "cinco e seis ataques" destruíram a estrutura por completo.

"Felizmente não houve vítimas", afirmou, pelo facto de o hospital não ter admitido doentes nesse dia, e pelo pessoal ter escapado a tempo.

Na quarta-feira a Arábia Saudita negou qualquer envolvimento da coligação militar árabe que combate as forças xiitas 'huthis' no bombardeamento deste centro de cuidados médicos situado na região de Saada, bastião dos rebeldes.

"Os aviões da coligação árabe não atacaram o hospital", afirmou em comunicado a missão da Arábia Saudita nas Nações Unidas.

"Houve declarações contraditórias do embaixador saudita na ONU", retorquiu o presidente do MSF França, Mégo Terzian.

"Primeiro anunciou que o ataque foi provavelmente um erro e que os MSF deram coordenadas GPS inexatas. E em 29 de outubro [hoje] o mesmo embaixador nega qualquer ataque aéreo na região de Saada", prosseguiu, antes de admitir "decisões radicais como deixar de estar de certas zonas ou mesmo no país".

Esta foi a segunda vez em um mês que um edifício onde atuam os MSF foi atingido. Em 3 de outubro, pelo menos 30 pessoas foram mortas no bombardeamento pela aviação dos Estados Unidos de um hospital dos MSF em Kunduz, no Afeganistão.

Lusa

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