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Snowden considera "extraordinário" o apoio do Parlamento Europeu

Edward Snowden, conhecido pelas denúncias sobre a atuação dos serviços de segurança norte-americanos, considerou um "extraordinário" gesto de apoio o Parlamento Europeu ter instado os Estados membros da União Europeia (UE) a acolhê-lo e dar-lhe proteção.

© Andrew Kelly / Reuters

Numa resolução, os legisladores pediram aos 28 Estados-membros que conferissem proteção a Snowden - que divulgou informações sobre programas do governo dos EUA para vigilância em massa - enquanto "defensor dos direitos humanos".

Usando a rede social Twitter, Edward Snowden disse que a votação foi "extraordinária" e descreveu-a não como "um golpe contra o governo dos EUA, mas uma mão aberta estendida por amigos, uma oportunidade para avançar".

Os eurodeputados instaram os Estados membros a "abandonar quaisquer acusações criminais contra Edward Snowden, a conceder-lhe proteção e, consequentemente, a impedir a sua extradição, em reconhecimento do seu estatuto como defensor internacional dos direitos humanos".

Snowden tem vivido no exílio na Rússia desde junho de 2013, enfrentando acusações norte-americanas de espionagem e de roubo de propriedade do Estado que podem valer-lhe 30 anos de prisão.

Em sua defesa, Edward Snowden alega que cumpriu um dever cívico, ao informar os demais cidadãos sobre os programas de vigilância que reuniam enormes quantidades de dados pessoais em nome da segurança nacional.

No início do mês, Snowden elogiara a decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia de pôr fim a um acordo transatlântico de envio de dados pessoais para os Estados Unidos por empresas como a rede social Facebook.

O Tribunal disse que o acordo "Porto Seguro", estabelecido entre os EUA e a Comissão Europeia, era inválido por não garantir a proteção dos dados pessoais dos europeus.

Na resolução, os legisladores instaram a Comissão Europeia a garantir que todas as transferências de dados para os Estados Unidos prevejam um "nível de proteção equivalente ao garantido pela União Europeia".

Para os legisladores, muito pouco tem sido feito para salvaguardar os direitos fundamentais dos cidadãos, depois das revelações de Snowden, que chocaram muitos Estados da UE, especialmente a Alemanha, ao revelarem que os serviços de segurança norte-americanos tinham, inclusivamente, tido acesso a chamadas realizadas pela chanceler Angela Merkel a partir do seu telemóvel.

Lusa

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