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Nova vaga de violência sectária na República Centro-Africana

Pelo menos três pessoas foram mortas e mais de 100 casas foram incendiadas no domingo na capital centro-africana Bangui, na sequência de uma nova vaga de confrontos entre rebeldes muçulmanos e milícias cristãs, segundo fontes locais.

© POOL New / Reuters

Esta nova vaga de violência religiosa e sectária ocorre a poucas semanas da visita à República Centro-Africana do papa Francisco, prevista para 28 e 29 de novembro.

Fontes hospitalares, citadas pela agência francesa AFP, avançam que pelo menos três pessoas morreram nos confrontos.

Apesar dos confrontos terem hoje registado um abrandamento, segundo testemunhou no local um jornalista da AFP, foram ainda registados tiroteios esporádicos em redor da zona PK5, o bastião dos rebeldes muçulmanos Seleka na capital centro-africana que está sitiado pelas milícias cristãs 'anti-balaka'.

Ao lado das milícias cristãs estavam elementos das forças armadas centro-africanas (FACA), segundo o mesmo testemunho.

Uma fonte militar confirmou que várias pessoas foram mortas a tiro ou degoladas, acrescentando que os corpos das vítimas foram abandonados. A fonte não precisou o número de mortos.

"Também contabilizamos vários feridos a tiro, incluindo alguns elementos da FACA, que foram transportados para hospitais", indicou a mesma fonte.

A deposição, em março de 2013, do Presidente François Bozizé pela rebelião Seleka mergulhou esta ex-colónia francesa na maior crise desde a sua independência, em 1960, desencadeando combates mortais entre comunidades muçulmanas e cristãs em 2013 e 2014.

Confrontos no final de setembro em Bangui fizeram 61 mortos e mais de 300 feridos antes de as forças internacionais ("capacetes azuis" e soldados franceses) conseguirem restabelecer a calma.

O nível de violência baixou desde então, mas muitos grupos armados continuam a atacar, o que provocou um novo adiamento das eleições cuja primeira volta estava agendada para 18 de outubro.

Na Cidade do Vaticano, fontes oficiais afirmaram hoje que a visita do papa à República Centro-Africana mantém-se "programada", admitindo, no entanto, que a deslocação do pontífice poderá ser cancelada caso existe uma intensificação dos confrontos na capital Bangui.

A deslocação de Francisco à República Centro-Africana insere-se num périplo africano que também inclui passagens pelo Quénia e pelo Uganda.

Lusa