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Birmânia ultima preparativos para eleições em clima de inquietação

Os preparativos para as eleições na Birmânia estavam hoje a ser ultimados, um dia antes da votação histórica que poderá dar a vitória à formação da opositora Aung San Suu Kyi, após décadas de regime militar.

© Soe Zeya Tun / Reuters

A Liga Nacional para a Democracia (LND) - partido da também laureada com o prémio Nobel da Paz - é apontada como prestes a emergir como a maior força no parlamento, um resultado que a ocorrer, iria alterar a cena política da Birmânia, que tem sido dominada pelos militares desde a independência do país.

O Presidente Thein Sein, um antigo general que tem levado a cabo reformas no país desde o fim da governação da junta, em 2011, insiste que o seu governo -- e poderoso exército -- vai respeitar o resultado das eleições.

As autoridades informatizaram os cadernos eleitorais pela primeira vez, algo que é referido como um esforço para garantir eleições livres e justas no extenso e pobre país.

Thein Sein também instou a população a ir votar.

Mas milhares de muçulmanos da etnia Rohingya, no estado ocidental de Rakhine foram marginalizados, enquanto as rebeliões étnicas também vão impedir a votação noutras áreas do país.

Observadores receiam que muitos eleitores -- especialmente nos círculos eleitorais com grande número de trabalhadores migrantes -- fiquem de fora dos cadernos de voto.

A população está também instintivamente cautelosa numa nação em que o exército tem repetidamente reagido às mudanças políticas com violência.

"Eu não gosto deste governo, eles são corruptos... Eu acredito que vai haver algumas fraudes (eleitorais), mas penso que Suu Kyi não vai ser como eles", disse Win Mar Oo, que dirige uma mercearia.

Tal como muitos no seu país, a mulher de 36 anos vai votar pela primeira vez, escreve a AFP. Em 2010 não votou nas eleições boicotadas pela LND e, em 1990, era demasiado jovem para votar nas últimas eleições concorridas por Suu Kyi.

"Espero que o presidente mantenha a sua promessa", disse o segurança Aung Htay, de 54 anos, referindo-se ao discurso de Thein Sein, na sexta-feira, no qual prometeu que "o governo e o exército vão respeitar" o voto.

Mas o presidente birmanês acrescentou que o novo governo deve "estar em conformidade com a constituição", o que pode ser entendido como um aviso velado a Suu Kyi, que na quinta-feira disse que no caso da vitória do LND ela iria assumir um papel "acima do presidente".

Suu Kyi está impedida de ocupar o lugar de presidente por uma cláusula na constituição, que dita que qualquer pessoa casada com um estrangeiro ou com filhos com nacionalidade estrangeira não podem ser presidentes da Birmânia. Os seus filhos e falecido marido são britânicos.

A Birmânia foi governada durante meio século por junta militar, que reprimiu os movimentos pró-democracia, e fechou o país ao exterior com consequências sobre a economia, escreve a AFP.

Mas em 2011 os militares cederam o poder a um governo semi-civil, liderado por um antigo general, atual Presidente Thein Sein.

Uma série de reformas tem sido implementada, com a abertura ao exterior e a libertação de presos políticos, mas persistem as dúvidas quanto às intenções do governo.

"Temos de esperar para ver se o presidente mantém a sua promessa", disse um responsável do governo à AFP, sob a condição de anonimato.

Lusa

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