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Livro do académico angolano na origem de detenção de ativistas divulgado na Internet

O livro do académico angolano Domingos da Cruz, um dos detidos acusados de tentativa de rebelião em Angola, foi hoje difundido na íntegra pelo ativista Rafael Marques através da Internet.

O ativista angolano Domingos José Cruz, um dos 15 ativistas angolanos detidos desde junho, fotografado no Hospital Prisão de São Paulo em Luanda, 30 de outubro de 2015.

O ativista angolano Domingos José Cruz, um dos 15 ativistas angolanos detidos desde junho, fotografado no Hospital Prisão de São Paulo em Luanda, 30 de outubro de 2015.

PAULO CUNHA

O estudo do manual "Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar Nova Ditadura" - que nunca chegou a ser publicado em livro - está na base das detenções dos 15 jovens angolanos detidos em junho em Luanda e que vão começar a ser julgados no próximo dia 16 sob a acusação de rebelião e tentativa de assassínio do Presidente José Eduardo dos Santos.

O livro encontra-se disponível no site "Maka Angola" do ativista Rafael Marques.

"O manual é um convite à liberdade de consciência, à liberdade de pensamento, à liberdade de expressão, todas as liberdades formalmente garantidas pela Constituição Angolana. É um convite à transição de liderança. Será que isso não é lícito? Não pode um pensador angolano querer um regime diferente através da não-violência", escreveu Rafael Marques na mensagem introdutória ao anexo em formato digital do livro de Domingos da Cruz.

Na mesma nota, Rafael Marques acrescentou que as autoridades angolanas "precisam de encontrar um inimigo interno que recicle as frustrações da população", que segundo o ativista está gravemente atingida pela crise económica e financeira criada "pela gestão incompetente do poder".

"O que surge agora é uma velha técnica de sobrevivência política: face a dificuldades, criam-se colunas de fumo e inimigos para desviar a atenção das pessoas, enquanto se espera que a crise abrande. São criados os Inimigos do Povo para concentrar ódios e serenar contestações", acrescentou Rafael Marques, referindo-se ao processo dos 15 jovens que estão detidos -- duas aguardam julgamento em liberdade - considerados prisioneiros de consciência pela Amnistia Internacional.

A agência Lusa teve acesso, no dia 30 de outubro, ao manuscrito do livro "Ferramentas para destruir o ditador e evitar nova ditadura -- Filosofia Política da Libertação para Angola", de Domingos da Cruz, que estrutura o trabalho, sobretudo, a partir das ideias defendidas pelo filósofo e académico norte-americano Gene Sharp, referindo claramente que rejeita o recurso a golpes de Estado como forma de derrube de ditadores.

Entretanto, o embaixador itinerante angolano António Luvualu de Carvalho disse à Lusa que os ativistas detidos desde junho em Luanda, acusados de conspiração, queriam provocar uma intervenção da NATO em Angola que conduzisse ao derrube do Presidente.

Socorrendo-se das afirmações feitas na passada semana em Luanda pelo ministro do Interior angolano, Ângelo Veiga Tavares, o embaixador itinerante repetiu que seria posta em prática uma marcha até ao Palácio Presidencial, "levando com que fossem quebradas as regras de segurança (...) para que a guarda presidencial ou a polícia presente reagisse, matasse crianças, matasse senhoras e matasse idosos para provocar a comoção internacional e justificar então uma intervenção vergonhosa".

"É isto que se procurava. Que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) ou alguns países que dela fazem parte fizessem um ataque a Angola, para que se verifique o horror que se verifica agora na Líbia ou se verificou e verifica na Tunísia", acentuou o diplomata angolano.

Lusa

  • "Foi um golpe muito forte"
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  • Não me parece o melhor princípio político, mas percebo que António Costa queira ter junto de si, sobretudo em tempos difíceis, os mais próximos. Os homens de confiança pessoal e política. Em plena tempestade, o primeiro-ministro chamou dois amigos de longa data, ex-colegas da Faculdade de Direito, Eduardo Cabrita e Pedro Siza Vieira. E eles não disseram que não.

    Bernardo Ferrão

  • SIC acompanhou Francisco George no último dia como diretor-geral da Saúde
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