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Vaticano alarga inquérito sobre fuga de informação a dois jornalistas italianos

A justiça do Vaticano alargou hoje o inquérito, no âmbito do novo escândalo "Vatileaks", a dois jornalistas italianos por "divulgação de documentos confidenciais" e examinava outras cumplicidades nestas fugas.

© Tony Gentile / Reuters


Os dois jornalistas italianos sob investigação da justiça vaticana são Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, que publicaram na passada semana dois livros sobre desvios de fundos e irregularidades no Vaticano.

Os livros, "Via Sacra" de Nuzzi e "Avareza" de Fittipaldi, descrevem o estilo de vida luxuoso de alguns cardeais da Igreja Católica.

O novo escândalo, já denominado "Vatileaks 2", começou há cerca de dez dias quando um prelado espanhol Lucio Angel Vallejo Balda, e uma consultora italiana Francesca Immacolata Chaouqui, foram detidos por estarem na origem da fuga de documentos oficiais.

Os documentos pertenciam a uma comissão de inquérito, COSEA, à qual também pertenciam, encarregada em 2013 de apresentar reformas das finanças do Vaticano ao papa Francisco.

Chaouqui foi libertada de imediato por ter decidido colaborar com a justiça.

"A guarda vaticana informou a justiça do Vaticano sobre a atividade dos dois jornalistas Nuzzi e Fittipaldi, relativo a uma possível cumplicidade no delito de divulgação de notícias e de documentos confidenciais, o que está previsto na lei de 13 de julho de 2013", afirmou o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.

A justiça vaticana "adquiriu elementos de prova que estabelecem a cumplicidade dos dois jornalistas, que ficam, a partir de agora, sob inquérito neste caso", acrescentou.

Os investigadores estão a "examinar outras pessoas que, pelas funções que desempenham, podem ter cooperado na aquisição dos documentos confidenciais em questão", no âmbito do "Vatileaks 2".

O primeiro "Vatileaks", durante o qual o jornalista Nuzzi teve acesso, em 2012, a cartas confidenciais dirigidas a Bento XVI, enfraqueceu fortemente a posição do papa alemão.

O processo de Nuzzi e Fittipaldi apoia-se na legislação vaticana de julho de 2013, na sequência do primeiro "Vatileaks".

A legislação define que "quem obter ilegalmente ou revelar informações ou documentos cuja difusão está proibida incorre numa pena de prisão de entre seis meses e dois anos, e numa coima de entre mil e 1.500 euros".

Os responsáveis do "Vatileaks 2" afirmam que o objetivo era ajudar Jorge Bergoglio.

No domingo, o papa considerou estas fugas "atos deploráveis", que "seguramente não o desviarão do trabalho das reformas, que vai continuar".

Instituições e prelados implicados têm emitido vários desmentidos e reações de indignação às acusações feitas.

Entretanto, a procuradoria do Vaticano anunciou ter aberto um outro inquérito na sequência da divulgação de um documento secreto sobre a Administração do Património da Santa Sé (APSA), que um banqueiro tentou utilizar para operações de branqueamento de dinheiro.

O padre Lombardi afirmou que a APSA não está sob inquérito, apesar do caso do banqueiro Gianpietro Nattino, "patrão" do banco de negócios italiano Banca Finnat.

Nattino é suspeito de ter usado a APSA para operações de branqueamento de dinheiro, abuso de informação privilegiada e manipulação dos mercados entre 2000 e 2011. O banqueiro afirmou estar inocente.

Num outro caso, a poderosa Congregação para a Evangelização dos Povos, que gere um vasto património imobiliário em Roma e em Itália, e é alvo da atenção dos investigadores há vários anos, denunciou "insinuações inaceitáveis".

A congregação garantiu que pagava impostos sobre os rendimentos e alugava os bens imobiliários "a preços de mercado", à exceção dos casos "de situação de indigência".

Lusa

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