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ONU diz que negociações com Estado Islâmico é praticamente impossível

Qualquer tipo de negociação política com grupos terroristas como o "jihadista" Estado Islâmico (EI) é uma proposição "praticamente impossível", disse à Lusa o vice-secretário geral da Organização das Nações Unidas, o sueco Jan Eliasson.

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© Handout . / Reuters

"Os instrumentos clássicos da diplomacia não estão a funcionar. Negociar com Al-Shabaab, Boko Haram, Daesh (acrónimo árabe do grupo Estado Islâmico) ou EI, é moralmente questionável e provavelmente impossível pelos métodos que eles utilizam", disse Jan Eliasson.

O vice-secretário geral da ONU conversou com a Lusa na sede da organização em Nova Iorque poucos dias após os ataques que deixaram 129 mortos em Paris. Os atentados foram reivindicados pelo EI.

Na sua opinião, há um grande consenso que o EI configura uma ameaça militar à segurança mundial.

Na última semana durante as conversações para a paz na Síria levadas a cabo em Viena, as delegações dos Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita, Egito, Qatar, Líbano, França, Grã-Bretanha e Irão sinalizaram que iriam "fazer de tudo" para acabar com a guerra na Síria.

O que foi acordado em Viena deverá chegar em breve ao Conselho de Segurança (CS).

Jan Eliasson espera que o CS, órgão máximo da ONU com poder para autorizar intervenções militares, faça uma exceção ao enfrentar o EI.

"Vamos esperar que este acordo feito em Viena venha ao CS. Tenho certeza que o CS fará uma exceção para lidar com o EI. Se queremos ter um cessar-fogo na Síria, é provável que o CS faça uma exceção em relação ao EI", admitiu.

Para Jan Eliasson, o mundo não deve "apavorar-se" face à escalada de ataques terroristas.

"Estes grupos querem ver o mundo dividido e as sociedades polarizadas. É importante que o mundo reaja firmemente a estas formas de violência. Mas ao mesmo tempo, temos que ter sempre uma estratégia política para lidar com estes casos", analisou.

O vice-secretário geral da ONU receia que a islamofobia é o "grande perigo" face à onda de terror.

"Há um risco no mundo que comecemos a dividir as pessoas entre comunidades religiosas e étnicas. O mundo deve defender seus valores e princípios, ser firme em relação aos atos de violência mas também ter uma estratégia política mais aprofundada para lidar com as causas que motivaram essa crise".

Jan Eliasson alerta para a necessidade de ter cuidado para que o mundo não caia na "armadilha" de discriminar comunidades inteiras. Os ataques violentos como o de Paris no passado dia 13, e o perpetrado contra a publicação Charlie Hebdo, em janeiro, indicaram fortes conexões com crenças religiosas.

O fato de as investigações apontarem que um dos autores dos ataques na capital francesa estivesse infiltrado na vinda de imigrantes à Europa, não deve servir de justificação para que a União Europeia (UE) impeça a entrada de refugiados e imigrantes sírios que "estão a fugir desesperadamente".

O representante da ONU receia que a situação dos sírios se torne ainda mais precária.

"A UE deve relembrar os seus valores básicos. Vejo um grande risco que países europeus discriminem ainda mais estas populações", reforçou.

Lusa

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