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China insiste que quer acordo vinculativo na cimeira de Paris

A China insistiu hoje que espera que durante a próxima cimeira sobre alterações climáticas (COP21), em Paris, se alcance um acordo "juridicamente vinculativo", que tenha em conta as "diferentes capacidades" dos países participantes.

O Presidente chinês, Xi Jinping

O Presidente chinês, Xi Jinping

© POOL New / Reuters

"Deveríamos alcançar um consenso na fase final" das negociações, disse em conferência de imprensa Xie Zhenhua, representante especial da China para as negociações em Paris.

Xie, que esteve recentemente na capital francesa, onde se reuniu com outras delegações para definir as bases de um possível acordo, expressou a sua confiança num pacto global durante a cimeira, que arranca no dia 30 de novembro.

Ao todo, 200 países participarão da COP21, incluindo o Presidente chinês, Xi Jinping.

"A minha impressão é que todas as partes são positivas quanto aos resultados, mas ainda assim existem muitas diferenças", disse Xie, insistindo que as "responsabilidades devem ser comuns", mas tendo em conta as discrepâncias entre os países.

O acordo deverá ter em conta "as responsabilidades históricas" dos participantes, frisou, referindo-se em particular ao compromisso dos países desenvolvidos de oferecer financiamento e tecnologia aos países em desenvolvimento.

No início deste mês, o Presidente da França, François Hollande, assinou uma declaração conjunta com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, que prevê o estabelecimento de uma meta para o aquecimento global de dois graus centígrados.

A declaração, que defende um acordo juridicamente vinculativo, estabelece ainda que os compromissos nacionais sejam revistos a cada cinco anos.

Xie defendeu que a China se mantém comprometida com os objetivos definidos, apesar dos dados oficiais publicados recentemente darem conta que, desde 2000, o país consumiu 17% mais carvão anualmente - quase mil milhões de toneladas de dióxido de carbono ao ano - do que tinha calculado anteriormente.

"É justo dizer que se trata de um gesto importante para aumentar a transparência das nossas estatísticas económicas, que se tornaram assim mais fidedignas", afirmou o representante chinês.

A China comprometeu-se em novembro de 2014, durante a visita do Presidente dos Estados Unidos ao país, que os seus níveis de emissões atingirão um pico em 2030, sem apontar valores específicos.

Segundo Xie, as emissões de dióxido de carbono por unidade do Produto Interno Bruto (PIB) caíram 6,1%, em termos homólogos, em 2014, um valor 15,8% abaixo do registado há cinco anos.

A eletricidade gerada na China a partir de energias não-fosséis representou 11,2% do total em 2014, e o objetivo da segunda maior economia mundial é alcançar os 20% em 2030, revelou o responsável.

A China, o maior emissor de gases poluentes do mundo, comprometeu-se ainda este ano a avançar com um sistema nacional de comércio de direitos de emissão de CO2 em 2017.

Lusa

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