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Mali decreta o estado de emergência em todo o país

O governo do Mali decretou hoje o estado de emergência em todo o território por uma duração de dez dias, anunciou o executivo de Bamaco após um conselho de ministros extraordinário.

© Joe Penney / Reuters

A reunião do governo decorreu poucas horas após o ataque da Al Qaeda, que fez 27 mortos num hotel da capital do Mali.

"Declara-se o estado de emergência em todo o território nacional, a partir da meia-noite (mesma hora em Lisboa) e durante um período de dez dias", indica um comunicado lido através da radio nacional do Mali, ORTM.

Homens armados entraram hoje num hotel de luxo em Bamako e sequestraram 170 pessoas, um ataque reivindicado pela Al-Qaida que terminou com um assalto de forças malianas e estrangeiras.

Os atacantes, dois dos quais foram mortos mas cujo número total não foi ainda confirmado, chegaram cerca das 07:00 num automóvel com matrícula diplomática, entraram no hotel Radisson Blu aos gritos de "Allahu Akbar" (Alá é Grande) e começaram a disparar armas automáticas.

Pelo menos três pessoas morreram nesses primeiros momentos.

Muitos dos 140 hóspedes que foram feitos reféns, juntamente com 30 funcionários, eram estrangeiros de pelo menos 14 nacionalidades, incluindo cinco tripulantes da companhia aérea Turkish Airlines e 12 da Air France e cidadãos alemães, argelinos, belgas, canadianos, chineses, costa-marfinenses, espanhóis, indianos, marroquinos, norte-americanos, russos e senegaleses.

Cerca de quatro horas depois do início do sequestro, forças militares malianas apoiadas por unidades especiais francesas e norte-americanas lançaram um assalto ao hotel, permitindo a fuga de cerca de 80 dos reféns.

O ataque foi reivindicado pelo grupo radical Al-Mourabitoune, dirigido pelo 'jihadista' argelino Mokhtar Belmokhtar e afiliado da Al-Qaida, que num telefonema para a agência privada mauritana Alakhbar afirmou ter realizado o ataque com a colaboração da Al-Qaida no Magrebe Islâmico (AQMI).

O norte do Mali ficou em 2012 sob controlo de grupos 'jihadistas' ligados à Al-Qaida, perseguidos e dispersos a partir de janeiro de 2013 quando foi lançada, por iniciativa da França, uma intervenção militar internacional que se mantém no terreno.

Vastas zonas escapam no entanto ao controlo das forças malianas e estrangeiras. Durante bastante tempo concentrados no norte, os ataques 'jihadistas' alargaram-se desde o início do ano para o centro e depois de junho para o sul do Mali.

Lusa

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