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ONU quer enviar reforços para proteger civis no Sudão do Sul

O secretário-geral da ONU recomendou o envio de mais 1.100 "capacetes azuis" para o Sudão do Sul, onde a guerra civil continua apesar da assinatura de um acordo de cessar-fogo no final de agosto.

© Goran Tomasevic / Reuters

Ban Ki-moon fez a recomendação, hoje divulgada, num relatório entregue na semana passada ao Conselho de Segurança e no qual se mostra pessimista em relação a uma solução para o conflito.

Os reforços pedidos incluem 600 polícias e 500 soldados, assim como 13 "meios aéreos adicionais" como helicópteros, uma companhia de engenharia para se instalar em Bentiu (norte) e hospitais de campanha para Bentiu e para a capital, Juba.

Os "capacetes azuis", atualmente cerca de 12.500, protegem 180.000 civis refugiados nas seis bases das Nações Unidas em todo o país.

Embora o governo sul-sudanês e os rebeldes liderados por Riek Machar tenham assinado um acordo de paz a 26 de agosto, os combates nunca cessaram verdadeiramente.

"As violações do cessar-fogo e a incapacidade dos beligerantes em respeitarem as datas limite para as primeiras fases da aplicação do acordo de paz fazem duvidar do seu compromisso em relação ao processo de paz", considera Ban, que admite a possibilidade de "novos atrasos" na aplicação do acordo.

Ban receia igualmente "assassínios de represália", tendo em conta as atrocidades cometidas desde o início do conflito há perto de dois anos, assim como uma "escalada da violência entre comunidades".

O Sudão do Sul proclamou a sua independência em julho de 2011, regressando à guerra em dezembro de 2013 devido a divergências políticas e étnicas, alimentadas pela rivalidade entre o atual chefe de Estado, Salva Kiir, e o seu antigo vice-presidente Riek Machar.

Os combates e massacres provocaram uma grave crise económica e humanitária e forçaram mais de 2,2 milhões de pessoas a abandonarem as suas casas.

Lusa