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Papa condena violência e "ataques bárbaros" em nome de Deus

O Papa Francisco denunciou hoje em Nairobi, primeira etapa na sua viagem a África, a radicalização dos jovens em "ataques bárbaros" e condenou toda a violência reivindicada em nome de Deus.

© Thomas Mukoya / Reuters

"O nome de Deus não pode justificar o ódio e a violência", disse, diante dirigentes religiosos quenianos - muçulmanos, protestantes e anglicanos -, denunciando o facto de "jovens se terem radicalizado em nome da religião" para cometer "ataques bárbaros", citando os massacres do Westgate Mall, de Garissa e de Mandera.

Os exemplos citados referem-se aos quatro atentados mais graves ocorridos no Quénia nos últimos dois anos, todos atribuídos ou reivindicados pelo grupo 'jihadista' somali Al Shabab, que contesta o destacamento de tropas quenianas no território da Somália: o ataque ao comercial de Westgate (67 mortos), os dois na povoação de Mandera (64 mortos) e o da Universidade de Garissa (148 mortos).

"Com demasiada frequência radicalizam-se os jovens em nome da religião para semear a discórdia e o medo, e para desgarrar o tecido das nossas sociedades", lamentou Francisco.

Para o Papa, a relação entre distintos credos "impõe desafios e interrogações", contudo, o diálogo ecuménico e inter-religioso "não é um luxo", mas antes algo "fundamental de que o mundo "necessita cada vez mais".

"Num mundo cada vez mais interdependente, vemos sempre, com maior clareza, a necessidade de uma mútua compreensão inter-religiosa, de amizade e colaboração para a defesa da dignidade" e o direito dos povos a "viver em liberdade e felicidade", argumentou.

Neste sentido, recordou que este ano se celebra o 50º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II, em que a Igreja católica se comprometeu com o diálogo ecuménico e inter-religioso ao serviço da compreensão e da amizade.

Depois do encontro, o papa vai oficiar uma missa na Universidade de Nairobi, o acontecimento mais esperado do sumo pontífice no Quénia.

A missa vai juntar dezenas de milhares de pessoas no interior e nos arredores da universidade.

Esta tarde, reunir-se-á com religiosos e seminaristas antes de discursar na sede do programa da ONU para o Ambiente e ONU-Habitat, uma intervenção muito esperada e que tem lugar alguns dias antes do início da conferência sobre alterações climáticas em Paris (COP21).

O papa chegou na tarde de quarta-feira à capital do Quénia, para a sua primeira visita ao continente africano, um périplo que também vai incluir o Uganda e a República Centro-Africana, país que enfrenta uma vaga de violência religiosa e sectária.

Francisco, que realiza a 11.ª visita internacional, é o quarto pontífice a viajar para o continente africano depois de Paulo VI, João Paulo II - que visitou 42 países africanos - e Bento XVI.

Lusa

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