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Papa denuncia "periferias abandonadas" por minorias que "concentram poder e riqueza"

O papa Francisco condenou hoje em Kangemi, um bairro pobre de Nairobi, "a injustiça atroz" representada nas "periferias abandonadas" pelas minorias que "concentram poder e riqueza".

© Thomas Mukoya / Reuters

"Estas são feridas infligidas por minorias que se agarram ao poder e à riqueza, que esbanjam egoistamente enquanto uma crescente maioria é forçada a fugir para periferias abandonadas, sujas e marginalizadas", disse o pontífice, de 78 anos, perante uma multidão na favela de Kangemi, na capital queniana.

Francisco, cuja visita a este bairro pobre é um dos destaques do seu périplo por três nações africanas, iniciado esta semana, condenou assim a "atroz injustiça da exclusão urbana".

À passagem do papamóvel pelas ruas cheias de casas de telhados de zinco, onde seguia Francisco, ecoaram cânticos.

"Estou aqui porque quero que saibam que não fico indiferente às vossas alegrias e esperanças, aos vossos problemas e às vossas tristezas", sublinhou o papa numa igreja em Kangemi.

"Percebo as dificuldades que vivem diariamente. Como não poderia denunciar as injustiças que vocês sofrem?", questionou, criticando a falta de "infraestruturas e de serviços básicos", incluindo água potável, esgotos, eletricidade, estradas, escolas e hospitais.

"Negar água a uma família, sob qualquer pretexto burocrático, é uma grande injustiça, sobretudo quando se lucra com esta necessidade", criticou.

Estas realidades, segundo o papa Francisco, "não são uma combinação casual de problemas isolados", mas antes uma "consequência de novas formas de colonialismo" contra os países africanos que faz com que fiquem confinados a ser "peças de uma gigantesca engrenagem", disse, condenando as "pressões para que sejam adotadas políticas de marginalização, como a da redução da natalidade".

"Esta situação de indiferença e de hostilidade experienciada por bairros pobres agrava-se quando a violência se propaga e organizações criminosas, servindo interesses políticos ou económicos, usam crianças e jovens como 'carne para canhão' para os seus negócios sem escrúpulos", acrescentou, destacando o papel das mulheres neste contexto.

"Agradeço, também, as lutas dessas mulheres que lutam heroicamente para proteger os seus filhos e filhas desses perigos".

No Quénia, cerca de 60% da população vive em distritos como o de Kangemi, com menos de um dólar por dia. O maior, Kibera, alberga mais de um milhão de pessoas no centro da capital.

Lusa