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Um terço das mortes causadas por alimentos são de crianças com menos de 5 anos

Cerca de um terço das mortes devido a doenças provocadas por alimentos são de crianças com menos de 5 anos, sendo que estas só representam 9% da população mundial, revela um estudo da OMS hoje publicado.

(Arquivo)

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© Antonio Bronic / Reuters

O relatório "Estimativas da Carga Global das Doenças Provocadas por Alimentos", da Organização Mundial da Saúde (OMS), refere que as doenças provocadas por alimentos se devem a 31 agentes patogénicos, bactérias, vírus, parasitas, toxinas e produtos químicos.

A cada ano, cerca de 600 milhões de pessoas, quase 1 em 10 no mundo, ficam doentes depois de consumirem alimentos contaminados. Entre estes doentes, 420.000 morrem, das quais 125.000 são crianças com menos de cinco anos.

"Até ao presente, as estimativas sobre este problema eram vagas e imprecisas, mascarando os verdadeiros custos humanos dos alimentos contaminados. O relatório coloca as coisas no lugar", diz a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, no relatório.

"O conhecimento sobre os agentes patogénicos como a origem dos mais graves problemas em diferentes regiões do mundo permite que o público em geral, os governos e a indústria agroalimentar tomem medidas específicas", sublinha.

Se a quantidade de doenças provocadas por alimentos constitui um problema de saúde pública à escala mundial, nas regiões da África, Sudeste Asiático estão as incidências e as taxas de mortalidade mais elevadas, inclusivamente entre as crianças com menos de 5 anos.

"Estas estimativas são fruto de dez anos de trabalho, com contribuições de mais de uma centena de especialistas do mundo inteiro. Estes números são conservadores e é preciso melhorar a disponibilidade de dados sobre as doenças provocadas por alimentos", considera, por seu lado, Kazuaki Miyagishima, diretor do departamento de segurança sanitária dos alimentos, zoonoses e doenças provocadas por alimentos da OMS.

As doenças diarreicas são responsáveis por mais da metade do número global de doenças provocadas por alimentos, com 550 milhões de doentes e 230.000 mortes por ano. As crianças são particularmente sensíveis, com 220 milhões de casos e 96.000 mortes anualmente.

A diarreia é muitas vezes causada pela ingestão de carne crua ou mal cozida, ovos, produtos frescos e produtos lácteos contaminados pelo 'norovírus', 'Campylobacter', salmonela não tifóide e E. coli enteropatogénico.

Outras doenças transmitidas por alimentos são a febre tifoide, hepatite A, 'Taenia solium' (ténia) e aflatoxinas (produzida por fungos em grãos armazenados em más condições).

O risco de doenças provocadas por alimentos é mais grave em países com baixo e médio rendimento, sendo provocadas pela preparação de alimentos com água contaminada, falta de higiene, má preparação e conservação alimentar, baixos níveis de alfabetização e educação e insuficiente legislação de segurança sanitária de alimentos e sua aplicação, de acordo com o documento da OMS.

As doenças provocadas por alimentos podem provocar sintomas que se manifestam rapidamente, como náuseas, diarreias e vómitos, mais também pode provocar doenças a longo prazo, como cancros, insuficiência renal, hepatites e problemas cerebrais e nervosos.

Estas doenças podem tornar-se muito graves nas crianças e nas mulheres grávidas.

No estudo, a OMS apela para que a segurança alimentar seja uma responsabilidade partilhada. As conclusões do relatório sublinham a ameaça mundial que representam as doenças provocadas por alimentos e insiste na necessidade dos governos, do setor agroalimentar e outros de tornarem os alimentos mais seguros e evitarem estas doenças.

A necessidade de educação e formação para a prevenção continuam a ser importantes para os produtores, fornecedores e todos aqueles que lidam com alimentos e também para o público em geral, avalia a investigação da OMS.

A OMS está a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades nacionais para ajudar a definir e executar estratégias e políticas no domínio da segurança alimentar, o que terá efeitos positivos nesta área no mercado global, segundo o estudo.

Lusa

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