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Declarações de Trump desqualificam-no para as presidenciais, adianta Casa Branca

A Casa Branca considerou hoje que as polémicas declarações feitas por Donald Trump sobre os muçulmanos, propondo que deveriam ser proibidos de entrar nos Estados Unidos, "desqualificam-no" como candidato à Presidência norte-americana.

Reuters

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© Randall Hill / Reuters

"O que Donald Trump disse desqualifica-o para ser presidente", afirmou Josh Earnest, porta-voz de Barack Obama, evocando que as declarações são "moralmente repreensíveis" e que terão "consequências" para a segurança nacional norte-americana.

O porta-voz de Obama desafiou os Republicanos a denunciar o seu pré-candidato, lembrando que um presidente dos Estados Unidos é também o comandante supremo das Forças Armadas.

Apelidando Trump como um "barbeiro carnavalesco" com "cabelo falso" e de ser "cínico" nas suas tomadas de posição, Earnest considerou que a campanha do pré-candidato republicano tem a qualidade de um "lixo da história".

"A verdadeira questão para os Republicanos é a de saber se se deixarão entrar no lixo da História com Donald Trump", acrescentou, desafiando os restantes candidatos do partido a tomar uma posição sobre as declarações do magnata do imobiliário.

Segunda-feira, num comunicado, o pré-candidato republicano à Casa Branca pediu para ser proibida a entrada nos Estados Unidos a todos os muçulmanos, em resposta ao "ódio" que, defende, têm em relação aos norte-americanos.

Trump defendeu um bloqueio "completo e total" à entrada de muçulmanos no país até que as autoridades "averiguem o que se está a passar".

"Sem olhar para os dados das pesquisas, é óbvio para qualquer um que aquele ódio está para além da compreensão. De onde aquele ódio vem é algo que temos de determinar", disse o magnata.

"Até se identificar e compreender o problema e a perigosa ameaça, o nosso país não pode ser vítima de horrendos ataques de gente que só acredita na «jihad» e que não tem qualquer sentido e respeito pela vida humana", acrescentou.

Donald Trump divulgou o comunicado depois de o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defender que o grupo extremista Estado Islâmico "não fala em nome do Islão" e pedir aos norte-americanos para não confundirem radicais com o resto dos muçulmanos.

Hoje, nas Nações Unidas, a ONU expressou preocupação pelas declarações de Trump, defendendo que não se deve seguir o caminho da retórica da islamofobia, xenofobia ou qualquer outro apelo ao ódio.

A ONU, que habitualmente evita comentar as palavras de candidatos à Presidência dos Estados Unidos, realçou a preocupação do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, face a "todas as formas de xenofobia ou qualquer sentimento contra os imigrantes ou grupos em base na raça ou na religião".

"E isso aplica-se, sem dúvida neste caso", disse um porta-voz da ONU.

Também hoje, mas em Londres, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, considerou que os comentários de Trump são "inúteis", criam "divisões" e são fruto de "equívocos".

"O primeiro-ministro britânico está totalmente em desacordo com os comentários de Donald Trump, que causam divisões, são inúteis e completamente equivocados", referiu o porta-voz, citado pela agência noticiosa espanhola EFE, que não identifica o autor das palavras.

Lusa

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