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Maduro pede demissão dos seus ministros após derrota nas legislativas

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu aos seus ministros para se demitirem, com o objetivo de fazer uma "reestruturação" do Governo após a vitória da oposição nas eleições parlamentares de domingo.

© Handout . / Reuters

"Eu pedi ao Conselho de Ministros para apresentar a demissão, para efetuar um processo de restruturação, de renovação e de profundo relançamento de todo o Governo nacional", disse Maduro durante o seu programa semanal de rádio e televisão.

"Isto é o que eu quero: um programa para a nova etapa da revolução, com uma revisão profunda - um começo, caramba!", disse o chefe de Estado venezuelano.

Unida na coligação da Mesa da Unidade Democrática (MUD), a oposição obteve, nas eleições de domingo, 112 dos 167 lugares que compõem o parlamento venezuelano, uma maioria de dois terços que lhe confere amplos poderes.

O Presidente Maduro, cujo mandato termina em 2019, convocou para quinta-feira o seu partido, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), para um dia de consultas.

A vitória da oposição nas eleições parlamentares, a primeira em 16 anos, marca uma viragem histórica contra o 'chavismo' (nome derivado do falecido Hugo Chavez, presidente entre 1999 e 2013), até à agora habituado a deter a totalidade dos poderes na Venezuela.

O resultado eleitoral surge num contexto de descontentamento popular face à crise económica no país, devido à queda do preço do petróleo.

O secretário executivo da MUD, Jesus Torrealba, indicou que os 112 deputados vão reunir na quinta-feira para abordar o seu papel na futura Assembleia, que será instalada a 05 de janeiro.

A maioria de dois terços da oposição permite, por exemplo, convocar um referendo ou estabelecer uma assembleia constituinte.

Além disso, a oposição "poderá reformular a composição do Tribunal supremo, que nos últimos tempos tomou decisões favoráveis ao Governo", explicou Carlos Malamud, perito sobre a América latina no Instituto Real Elcano de Madrid, segundo a agência AFP.

Lusa

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