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Marine Le Pen vai "festejar" resultados das regionais francesas em restaurante português

O partido da extrema direita francesa Frente Nacional (FN) vai festejar os resultados da segunda volta das eleições regionais em França no restaurante português Chez Tonton, disse à Lusa Manuel Domingos, o proprietário do estabelecimento.

© Pascal Rossignol / Reuters

"No domingo vêm cá festejar a vitória. Todos os quadros do partido, as grandes personalidades, como Gilbert Collard, Florian Philippot, Marine [Le Pen], Marion [Maréchal-Le Pen]", avançou o português que, na quarta-feira, recebeu um telefonema a fazer a reserva.

Na primeira volta, a 06 de dezembro, o FN conquistou a liderança em seis das 13 regiões francesas. Na região de Nord-Pas de Calais-Picardie, o partido de Marine Le Pen ultrapassou conservadores e socialistas com 40,6% dos votos.

As mesas já estão preparadas para o jantar de domingo, com 15 lugares distribuídos, e a pequena sala está decorada com fotografias emolduradas e autografadas pelos líderes do FN em que Manuel Domingos aparece ao lado de Marine Le Pen e do pai, Jean-Marine Le Pen, fundador do partido: "Pour mon tonton préféré" ("Para o meu tio preferido") é o autógrafo deixado por Marine Le Pen.

"[Marine] é grande, mulher prezada, inteligente e compreensiva, muito simples, muito abordável", descreve o emigrante português, adiantando que "é muito amiga dos portugueses".

Há também as fotografias do álbum de família guardado atrás do balcão em que Manuel aparece ao lado de Jean-Marie Le Pen disfarçado de pirata, durante a festa de aniversários dos 83 anos, na sua casa.

O português de Arcos de Valdevez convive com a liderança do FN há oito anos, desde que a direção do partido começou a almoçar e a jantar naquela que já foi chamada a "cantina do FN" pelo jornal Le Monde e a "cantina de Marine Le Pen" pelo Le Figaro.

A "cantina" está repleta de símbolos do FN: um cartaz com o rosto de Marine a apelar à adesão ao partido e vários bonés da campanha "France Bleu Marine" decoram o restaurante juntamente com um quadro da Seleção Nacional e três emblemas do Benfica.

O português de 53 anos votou no FN nas eleições regionais porque "é um partido com grande qualidade para defender o país" e defende que que "se a Marine chegar ao poder há mais segurança em tudo".

Como Manuel Domingos, há muitos portugueses a votar no partido ultranacionalista mas são poucos os que dão a cara no restaurante "Chez Tonton". Após alguma hesitação, Roberto Sousa afirma que não tem medo de dizer que vota FN e aceita falar com a Lusa sobre as razões que o movem.

"Votei pelo FN porque promessas há muitas e nada feito. Há muito terrorismo, muita falta de educação. Há muita falta de respeito. Os árabes estão aqui a vender droga. Para poder passar tenho de pedir licença. Ainda por cima somos insultados. É isso que me revolta", comenta o emigrante de Famalicão.

Roberto Sousa defende que para "aqueles que fazem asneiras" como "roubar, matar, violar e os vendedores de droga" a solução seria "tirar-lhes a nacionalidade francesa e mandá-los para o país deles".

Roberto é militante da Frente Nacional e orgulha-se de dizer que conhece a "Marine Le Pen, a Marion, o Jean-Marie Le Pen, o Saint-Just, a família toda" que caracteriza como "pessoas muito simpáticas e com muito respeito".

Artur Teixeira só tem nacionalidade portuguesa e não pode votar nas eleições regionais, mas "se pudesse votava FN por causa da delinquência e da insegurança que há", apesar de em Portugal ter sido membro do Partido Socialista.

"Acho que uma pessoa tem de se adaptar ao ambiente em que vive e não é por em Portugal ter sido membro do Partido Socialista que o vou ser toda a vida. Só os burros é que não mudam de opinião. No meio que vivemos atualmente e na situação em que estamos - sobretudo ao nível regional - acho que há que dar oportunidades a outros para ver se fazem melhor", justificou o português de 45 anos.

Em França há 22 anos, Artur Teixeira já viu a família Le Pen várias vezes no "Chez Tonton", sobretudo Jean-Marie Le Pen, mas não se identifica com "as ideias mais extremistas do velho", defendendo que o FN "não é um partido tão diabólico e extremista".

"Eles têm as ideias deles de fechar as fronteiras, de conter essa imigração que está a vir por aí agora. Tanto desemprego e cada vez mais pessoal a chegar. Estas pessoas que andam por aqui e que dormem nas ruas ninguém se preocupa e esses que vêm dão-lhes casa, dinheiro e salário", comentou.

"Eu também sou emigrante. A maior parte dos meus amigos são muçulmanos, mas há uma islamização e uma radicalização da população. É de pior em pior. Os atentados são [feitos por] pessoal que está aqui, é pessoal que veio com os outros refugiados, infiltrado. Para a minha segurança e a dos meus filhos, uma pessoa tem que fazer algo e não continuar de braços cruzados", concluiu, defendendo que é altura de o FN chegar ao poder.

Marine Le Pen disse na quinta-feira numa entrevista à cadeia BFM TV que "aconteça o que acontecer (nas eleições regionais)" será candidata nas presidenciais.

Para a líder fo FN a decisão na segunda volta está na mão dos abstencionistas.

Le Pen criticou a decisão do Partido Socialista (PS) francês de se retirar da corrida eleitoral nas regiões onde o total de votos da esquerda não permita a vitória da FN e a forma como "o sistema se defende da FN quando quer manter as suas posições".

Lusa

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