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Ativista angolano detido entra em greve de fome e ameaça suicídio

O ativista angolano Sedrik de Carvalho, detido desde junho em Luanda, que ameaçou hoje suicidar-se em carta aberta, considera abandonar essa intenção depois da conversa que terá terça-feira com a filha, disse hoje à Lusa o seu advogado.

(Arquivo/Lusa)

(Arquivo/Lusa)

PAULO JULIÃO/LUSA

Segundo o advogado de defesa Walter Tondela, Sedrik de Carvalho iniciou hoje uma greve de fome, juntando-se a mais quatro arguidos, que decidiram enveredar por aquele protesto contra a morosidade do julgamento, que se arrasta desde 16 de novembro.

Sedrik de Carvalho manifestou a intenção de se suicidar numa carta endereçada à sociedade angolana, aos Serviços Prisionais, Tribunal provincial de Luanda, órgãos de informação e à família.

"Ficámos muito tempo a falar. Ele está magro, um bocado pálido, está com muitas dores de cabeça e disse que vai manter a sua posição e que amanhã (terça-feira) só depois de falar com a filha é que vai ver se pode continuar com a tal greve ou se vai parar", disse Walter Tondela.

Com Sedrik de Carvalho, jornalista, estão em greve de fome Luaty Beirão, Domingos da Cruz, Evaristo Bingo Bingo, Mbanza Hanza e Nelson Dibango.

Walter Tondela disse que durante o encontro persuadiu Sedrik de Carvalho a desistir da sua intenção, pelo "futuro da filha", mas salientou que o seu cliente "está muito agastado com a situação".

"Alguém que nunca esteve preso e se sente totalmente injustiçado, é uma situação que não é fácil de ultrapassar", frisou.

O causídico disse que Sedrik de Carvalho está a ser acompanhado por um psicólogo externo, e igualmente pelo chefe de reeducação dos Serviços Prisionais, com qual está a evitar contacto.

Na carta hoje tornada pública, Sedrik de Carvalho escreve que está perante um "julgamento da ditadura contra a democracia".

Walter Tondela voltou a criticar a morosidade do julgamento, frisando não entender por que num dia praticamente apenas uma pessoa é ouvida.

"O processo não apresenta tanta complexidade assim e, aliás, ficou muito tempo - 90 dias a ser instruído - mas depois parece que estamos numa fase de instrução", disse o advogado.

Em causa está um grupo de 17 ativistas - duas em liberdade provisória - acusado da coautoria de atos preparatórios para uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

Na semana passada, os 15 ativistas em detenção anunciaram, em carta enviada ao Presidente da República, que iriam iniciar uma greve de fome coletiva, caso a audição dos réus em julgamento não terminasse naquela semana.

A sessão de hoje do julgamento começou com réu Domingos Caholo, que na sexta-feira ficou por concluir, tendo no período da tarde iniciado a audição da ativista Rosa Conde, que responde ao processo em liberdade.

Lusa

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