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Amnistia Internacional denuncia morte de xiitas pelo exército da Nigéria

A Amnistia Internacional (AI) considerou hoje que a morte de membros de um grupo religioso xiita em Zaria, província de Kaduna, Nigéria, pelo exército nigeriano, deve ser "urgentemente investigado" com o envio dos eventuais responsáveis perante a justiça.

© Akintunde Akinleye / Reuters

"Enquanto ainda permanece por esclarecer o número total de mortos, não restam dúvidas que se registou uma substancial perda de vidas humanas às mãos dos militares", considerou M. K. Ibrahim, diretor para a Nigéria da AI.

"As armas de fogo devem ser utilizadas apenas como último recurso, se foram estritamente necessárias para proteger vidas humanas. É crucial que as autoridades demonstrem contenção no uso da força e assegurem que qualquer responsável por mortes à margem da lei deverá comparecer perante a justiça para um julgamento justo", indicia o comunicado da organização de direitos humanos.

Para além das vítimas, a AI denuncia ainda a "prisão de muitos membros do Movimento Islâmico da Nigéria (IMN), incluindo o líder do grupo, Ibraheem Zakzaky, que foi levado da sua residência na manhã de domingo e permanece detido. Não é claro que tenha acesso a um advogado. As informações sugerem que os mortos e feridos foram levados para o hospital militar e para um hospital universitário".

A organização, sediada em Londres, recorda ainda a "história de mortes ilegais e outras violações dos direitos humanos" atribuídas às forças de segurança nigerianas, incluindo nas operações contra o grupo islamita Boko Haram e onde as forças militares nigerianas "também cometeram no nordeste da Nigéria sérias violações dos direitos humanos, crimes de guerra e outros atos que podem constituir crimes contra a humanidade".

"É necessária uma investigação urgente e imparcial sobre estas mortes. Qualquer responsável por mortes à margem da lei deverá comparecer perante a justiça. Deve ser garantida assistência médica aos que permanecem detidos, que devem ser indiciados por uma reconhecida ofensa criminal, ou libertados", concluiu M. K. Ibrahim.

Lusa

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