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ONU denuncia detenções arbitrárias em Cuba

As Nações Unidas denunciaram hoje que mais de 1.500 pessoas foram detidas em Cuba de forma arbitrária durante as primeiras semanas de dezembro.

© Enrique de la Osa / Reuters

A organização internacional precisou que muitas das detenções registadas na ilha caribenha foram feitas sem ordem judicial e antes de determinadas reuniões ou manifestações.

"Observou-se um aumento do número de detenções (...) algumas são de curta duração e a pessoa é libertada após algumas horas ou dias, mas este tipo de detenção é uma mensagem intimidatória para os defensores dos direitos humanos e para os ativistas da sociedade civil", afirmou a porta-voz do gabinete de direitos humanos da ONU, Cécile Pouilly, em declarações à comunicação social.

A representante recordou que as Nações Unidas já tinham contabilizado, em novembro último, algumas centenas de detenções no território cubano.

Num comunicado hoje divulgado, o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, o jordano Zeid Ra'ad Al Hussein, também expressou a sua preocupação face ao "número extremamente elevado de detenções arbitrárias e de detenções de curto prazo" das últimas semanas.

Esta situação, segundo descreveu o alto-comissário, representa "assédio" e evidencia o objetivo "de impedir as pessoas de exercerem o direito de liberdade de expressão e de reunião".

Por falta de autorização, o gabinete de direitos humanos da ONU não está presente em Cuba, mas "tem contactos no terreno e trabalha com organizações da sociedade civil" locais, afirmou ainda Cécile Pouilly.

No passado dia 10 de dezembro, a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) denunciou que mais de uma centena de dissidentes tinham sido detidos em toda a ilha para evitar manifestações no Dia Internacional dos Direitos Humanos (assinalado no dia 10).

Em todo o território cubano ter-se-ão registado "entre 150 a 200" detenções de dissidentes, muitos dos quais eram, há vários dias, "assediados" nas suas casas, afirmou então o ativista Elizardo Sánchez, líder da CCDHRN, que contabiliza as detenções por motivos políticos em Cuba.

Lusa

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