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Putin aprova uso da força para defesa de interesses nacionais

O presidente russo, Vladimir Putin, aprovou hoje uma nova estratégia de segurança nacional até 2020 que permite, sempre que a diplomacia falhe, o uso da força para defesa dos interesses nacionais, adiantou a EFE.

Alexei Nikolsky

"O uso da força militar para a defesa dos interesses nacionais só é possível quando todas as medidas que não tenham caráter bélico se mostrem ineficazes", lê-se no documento publicado no 'site' do Kremlin, citado pela EFE.

Simultaneamente, o texto defende que a Rússia vai defender os seus interesses de forma pragmática, tendo por base o direito internacional e a igualdade entre os Estados, e que nunca se verá envolvida numa corrida ao armamento.

Na sua mensagem de Ano Novo, Putin felicitou hoje especialmente os soldados russos colocados na Síria desde finais de setembro para combater as posições do autodenominado Estado Islâmico.

A Rússia diz querer garantir os seus interesses através da defesa do papel essencial das Nações Unidas (ONU) nas relações internacionais e da cooperação com outros países, seja através do G20, dos BRICS ou outras cooperações internacionais.

O texto hoje publicado no 'site' do Kremlin acusa os Estados Unidos e os seus aliados de tentarem pressionar a Rússia e castigar a sua independência com instrumentos políticos, económicos e informativos "para conservar a sua hegemonia no mundo".

Putin defendeu, no entanto, que a Rússia desempenha agora um papel muito mais importante na manutenção da estabilidade e segurança mundiais, e o país declarou-se disposto a cooperar em plano de igualdade com os Estados Unidos, uma vez que as relações bilaterais entre os dois países têm uma grande influência no resto do mundo, especialmente no que diz respeito à redução dos arsenais nucleares e combate ao terrorismo.

A estratégia promulgada por Putin insiste nos princípios de contenção estratégica e de modernização das Forças Armadas para melhorar a sua capacidade de mobilização perante novas ameaças como o terrorismo.

A principal ameaça para a segurança nacional, defende a Rússia, continua a ser a NATO, e o país defende ser "inaceitável" a expansão dos países da Aliança do Atlântico Norte em direção às suas fronteiras e a instalação de um escudo antimísseis.

A Rússia acusa ainda os países ocidentais de preparem o terreno e as condições que permitem que surjam grupos extremistas como o Estado Islâmico, devido à sua política de derrubar governos legítimos, o que causa instabilidade e origina conflitos, especialmente no Médio Oriente e no norte de África.

O documento defende também que o apoio da União Europeia e dos Estados Unidos ao "golpe de Estado" na Ucrânia motivou uma aguda divisão na sociedade ucraniana e ao rebentar de um conflito no leste do país.

Lusa

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