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Vaticano considera desonesta caricatura de Deus assassino, na próxima edição do Charlie Hebdo

O diário do Vaticano lamentou hoje que o Charlie Hebdo omita, na edição que assinala o primeiro aniversário do atentado terrorista contra o semanário satírico francês, as condenações de vários dignitários religiosos da violência em nome da religião.

A liberdade de expressão - e, em particular, o universo jornalístico - foram, em 2015, fortemente abalados. A crueldade humana voltou a não conhecer limites, deixando o fanatismo religioso falar mais alto. As ações, essas, tiraram a vida a 12 jornalistas do semanário satírico francês Charlie Hebdo. O mundo uniu-se em gestos de solidariedade e tributo às vítimas. "Je suis Charlie" - uma frase simples que procurou passar uma mensagem simples: estamos juntos.(Reuters)

A liberdade de expressão - e, em particular, o universo jornalístico - foram, em 2015, fortemente abalados. A crueldade humana voltou a não conhecer limites, deixando o fanatismo religioso falar mais alto. As ações, essas, tiraram a vida a 12 jornalistas do semanário satírico francês Charlie Hebdo. O mundo uniu-se em gestos de solidariedade e tributo às vítimas. "Je suis Charlie" - uma frase simples que procurou passar uma mensagem simples: estamos juntos.(Reuters)

© Marcos Brindicci / Reuters

No primeiro aniversário do ataque terrorista contra o Charlie Hebdo, o semanário vai publicar na quarta-feira um número especial, que apresenta na primeira página um deus barbudo, armado com uma kalachnikov e com o hábito ensanguentado. Para este número, o jornal deverá ter uma tiragem de cerca de um milhão de exemplares.

"O episódio não é uma novidade: atrás da bandeira enganadora de uma laicidade sem compromissos, o semanário esquece uma vez mais aquilo que tantos dirigentes religiosos de todas as confissões não deixam de repetir para rejeitar a violência em nome da religião: usar deus para justificar o ódio é uma verdadeira blasfémia, como disse em várias ocasiões o papa Francisco", afirmou o Osservatore Romano.

"Na escolha do Charlie Hebdo é claro o triste paradoxo de um mundo cada vez mais atento ao politicamente correto, ao ponto de roçar o ridículo, mas que não quer nem reconhecer, nem respeitar a fé em Deus de todo o crente, qualquer que seja a sua religião", acrescentou o diário católico.

O jornal do Vaticano citou ainda o presidente do Conselho francês do culto muçulmano, Anouar Kbibech, que considerou que esta caricatura "fere todos os crentes de várias religiões" e não ajuda à coesão da sociedade francesa num momento difícil.

No ano passado, a bordo do avião na viagem de regresso das Filipinas, o papa afirmou que a liberdade religiosa, como a liberdade de expressão, eram dois valores inalienáveis.

Francisco advertiu que a liberdade de expressão não deve ser usada para a ofensa e o insulto.

Lusa

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