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Rusga policial na sede do partido pró-curdo da Turquia em Istambul

A polícia antiterrorista turca deteve hoje em Istambul diversos responsáveis locais do principal partido pró-curdo do país, alvo de recentes e acesas críticas do Presidente islamita-conservador Recep Tayyip Erdogan.

Ao início da manhã, as forças da ordem irromperam nas instalações do Partido Democrático dos Povos (HDP, de esquerda e pró-curdo) no distrito de Beyoglu, na margem europeia da grande metrópole turca, e bloquearam os acessos ao local, referiu a agência noticiosa AFP.

A polícia confiscou numerosos documentos e nove pessoas foram detidas, incluindo um dos responsáveis do partido, Rukiye Demir, referiu por sua vez a agência noticiosa turca Dogan.

Num comunicado citado pelos media turcos, a direção da polícia de Istambul indicou ter detido seis pessoas.

A operação foi desencadeada no âmbito de um inquérito após uma morte em junho de 2015 atribuída aos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), e infirmações de que a arma utilizada estaria escondida na sede do HDP em Istambul, precisou a polícia.

Um dos advogados do partido, Levent Piskin, denunciou uma ação policial "arbitrária".

O regime islamita-conservador de Erdogan tem multiplicado as pressões contra o HDP, acusado de apoiar o PKK, considerado uma organização terrorista por Ancara, Estados Unidos e União Europeia. O partido tem desmentido sistematicamente estas alegações.

O chefe de Estado pediu o fim da imunidade parlamentar para os dois copresidentes do partido, Selahattin Demirtas e Figen Yüksekdag, que se pronunciaram publicamente por um grau de autonomia para a importante minoria curda do país (entre 12 a 17 milhões dos 76 milhões de habitantes).

Nas eleições legislativas antecipadas de 1 de novembro, onde o Partido da Justiça de do Desenvolvimento (AKP) de Erdogan recuperou a maioria absoluta, o HDP voltou a ultrapassar a barreira obrigatória dos 10% de votos e é atualmente a terceira força no parlamento de Ancara, com 59 dos 550 deputados.

As declarações do Presidente turco surgem na sequência do reinício dos combates, desde o verão, entre as forças de segurança turcas e o PKK em numerosas cidades do sudeste do país de maioria curda, após dois anos de cessar-fogo.

Dois soldados turcos foram hoje mortos na província de Diyarbakir e na cidade de Cizre (sudeste), que permanecem sob recolher obrigatório desde o mês passado, anunciou o comando militar na sua página da internet.

Apoiadas por carros de combate e helicópteros, forças do exército e da polícia prosseguem uma operação para retomar o controlo dos bairros onde resistem jovens apoiantes do PKK. Os confrontos provocaram a fuga de milhares de habitantes, e segundo o HDP mais de 70 civis terão sido mortos.

Os números oficiais, citados pela AFP, referem que perto de 200 polícias e soldados foram mortos desde o verão, enquanto Erdogan anunciou que já foram "eliminados cerca de 3.100 terroristas".

Lusa

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