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EUA preocupados com desaparecimento de livreiros em Hong Kong

Os Estados Unidos manifestaram-se na sexta-feira preocupados com as informações relativas ao desaparecimento de cinco livreiros de Hong Kong.

© Tyrone Siu / Reuters


Todos trabalhavam na livraria Causeway Books ou na casa editora associada (Mighty Current) -- conhecida pelas obras críticas do regime de Pequim e do Partido Comunista chinês e, portanto, popular entre muitos turistas do interior da China, dado que lhes veem vedado o acesso a este tipo de leituras.

"Estamos perturbados com as informações sobre o desaparecimento de cinco pessoas associados à casa editora Mighty Current e partilhamos a preocupação do povo de Hong Kong relativamente a esses desaparecimentos", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano John Kirby.

"Estamos a acompanhar a questão de perto", acrescentou.

Um protesto foi convocado para domingo depois de os misteriosos desaparecimentos terem despertado o receio de que as autoridades chinesas tenham recorrido a agentes clandestinos para proceder à detenção dos cinco livreiros, o que, a ser verdade, constituiria uma flagrante violação do princípio "Um País, dois sistemas" da Região Administrativa Especial chinesa, que lhe confere autonomia relativamente a Pequim.

O mais recente desaparecimento diz respeito a Lee Bo, de 65 anos, que foi visto pela última vez no dia 30 de dezembro, no armazém da Mighty Current, num caso que ocorreu semanas depois de quatro dos seus associados terem desaparecido em circunstâncias idênticas e que continua envolto em mistério.

Num espaço de dias, a sua mulher apresentou queixa à polícia e retirou-a, dando conta de que o marido dera sinais de vida ao enviar um fax, escrito à mão, a um amigo, em que terá indicado ter ido à China "pelos seus próprios meios", que estava a trabalhar numa investigação que "pode levar tempo" e que teve de gerir o assunto de forma "urgente" para evitar que desconhecidos tomassem conhecimento.

Além disso, terá assegurado, na mesma missiva, que estava bem e que tudo decorria com normalidade.

Os outros desaparecidos, além de Lee Bo, que detém passaporte britânico, são o editor, que tem passaporte sueco Gui Minhai, desaparecido numa viagem à Tailândia, o gerente geral do estabelecimento Lu Bo, o principal gestor do negócio, Lin Rongji, e o funcionário Zhang Zhiping.

A estes confusos factos juntam-se declarações do deputado democrata e advogado dos direitos humanos Albert Ho, segundo o qual estava em preparação um livro sobre a vida amorosa do Presidente chinês, Xi Jinping, em particular sobre uma namorada antiga, o que relacionou com os desaparecimentos.

O Presidente chinês tem levado a cabo uma intensa campanha anticorrupção para punir o alegado hedonismo no seio do Partido Comunista, o que inclui o que são considerados excessos na vida sentimental dos membros do partido, alguns publicados nas obras vendidas pela livraria Causeway Books.

Antiga colónia britânica, Hong Kong foi devolvida à República Popular da China em 1997, sob a fórmula "um país, dois sistemas", que promete manter os sistemas sociais e económicos da cidade durante 50 anos, detendo o estatuto de Região Administrativa Especial.

Lusa

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