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Refugiado sírio convidado para último discurso de Obama sobre Estado da União

Refaai Hamo, um refugiado sírio, e um antigo soldado norte-americano muçulmano são dois dos convidados da Casa Branca para o último discurso sobre o Estado da União de Barack Obama, na terça-feira, foi este domingo anunciado.

(Arquivo)

(Arquivo)

© Carlos Barria / Reuters

A Casa Branca disse que o refugiado sírio foi convidado por Michelle Obama para assistir ao discurso, a partir das galerias do hemiciclo da Câmara dos Representantes, onde todos os parlamentares norte-americanos e arte do governo do Supremo Tribunal vão estar a ouvir o Presidente dos Estados Unidos.

Refaai Hamo chegou a 18 de dezembro a Detroit (Michighan, norte) com três filhas e um filho, depois de ter passado dois anos na Turquia.

Fugiu da Síria depois de um míssil das forças governamentais de Bashar al-Assad ter destruído o complexo onde vivia com a mulher e família. A mulher, uma das filhas e cinco outros familiares morreram no ataque.

Na Turquia, foi-lhe diagnosticado um cancro no estômago. Os Estados Unidos concederam-lhe o estatuto de refugiado e Refaai Hamo vai refazer a sua vida em Troy, no Estado de Michigan.

A escolha de convidados da primeira-dama serve para sublinhar as prioridades do Presidente norte-americano. Neste caso, convidar um refugiado sírio é uma resposta aos republicanos do Congresso, que realizaram uma primeira votação para travar o acolhimento de refugiados sírios nos Estados Unidos (a medida não foi definitivamente aprovada).

Um antigo soldado norte-americano muçulmano, Naveed Shah, oriundo da Arábia Saudita, ficará ao lado de Michelle Obama. Uma criança quando chegou aos Estados Unidos com os pais paquistaneses, foi recrutado para o exército em 2006 por quatro anos e participou na guerra do Iraque.

Numa altura em que surgem vários tipos de manifestações islamófobas no país, agravadas pela proposta do pré-candidato às primárias do partido Republicano para as presidenciais Donald Trump que, em dezembro, propôs fechar as fronteiras norte-americanas aos muçulmanos.

Um lugar ficará por ocupar na terça-feira em homenagem às vítimas das armas de fogo, quando Obama tenta convencer o Congresso e a opinião pública da necessidade de agravar a legislação sobre armamento.

Jim Obergefell, cuja queixa por discriminação levou à legalização pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos do casamento homossexual, é também um dos convidados.

Um antigo migrante clandestino mexicano, que chegou aos Estados Unidos ainda em criança e conseguiu obter uma autorização de residência permanente depois de ter regressado ao México, estará presente para lembrar o compromisso de Barack Obama na regularização de milhões de clandestinos.

Entre os outros convidados contam-se também Spencer Stone, um dos heróis da tentativa de ataque no comboio de alta velocidade francês 'Thalys' em agosto passado, Lisa Jaster, uma das três mulheres que terminou a recruta do corpo de elite do exército 'Rangers', e Satya Nadella, diretor-executivo da Microsoft.

Tradicionalmente, este discurso diante das duas câmaras do Congresso norte-americano (Câmara dos Representantes e Senado) é focado na apresentação das prioridades políticas, nacionais e internacionais, do chefe de Estado, mas Barack Obama já disse que o discurso do próximo dia 12 de janeiro vai ser diferente.

"Neste discurso sobre o Estado da União, quero enfatizar, além dos progressos notáveis que conseguimos, o que temos de fazer em conjunto nos próximos anos. As grandes coisas que vão garantir aos nossos filhos uma América ainda mais forte e mais próspera", referiu.

O discurso do Estado da União ('State of the Union') é uma tradição política norte-americana iniciada pelo primeiro presidente dos Estados Unidos George Washington (1789--1797).

O discurso de terça-feira será o sétimo de Barack Obama, o 93.º dos discursos "State of the Union" presidenciais de toda a história do país e o 225.º quando contabilizados todos os discursos escritos por presidentes. A intervenção está prevista para as 21:00 de terça-feira (02:00 de quarta-feira em Lisboa).

Eleito em 2008 e reeleito em 2012, Obama deixará a Casa Branca a 20 de janeiro de 2017.

Lusa

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