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Mais de 7 milhões de pessoas dependem da ajuda humanitária no Congo

Décadas de sucessivas crises na República Democrática do Congo deixaram 7,5 milhões de pessoas -- nove por cento da população -- a depender de ajuda humanitária, incluindo alimentos, anunciou hoje a ONU.

© David Lewis / Reuters

Partes do leste da República Democrática do Congo (RDCongo) foram devastadas pela guerra, conflitos étnicos e conflitos armados pela posse de terra e pelo controlo de recursos minerais durante mais de 20 anos.

"Uma crise complexa e prolongada de proporções gigantescas criou a necessidade de ajuda humanitária para 7,5 milhões de pessoas, ou seja, nove por cento da população", lê-se no novo relatório do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

"Décadas de choques sucessivos intensificaram as carências humanitárias, deixando uma elevada percentagem da população vulnerável aos múltiplos choques causados por conflitos, epidemias, subnutrição e catástrofes naturais", segundo o documento.

O relatório, que aponta as necessidades humanitárias globais, precisa que, para ajudar sete milhões de pessoas na RDCongo este ano, a OCHA e os seus parceiros precisam de 690 milhões de dólares (633 milhões de euros).

Pelo menos cinco milhões de pessoas têm acesso reduzido ou incerto a alimentação adequada e quase metade das crianças com menos de cinco anos do país sofrem de subnutrição crónica.

Surtos de sarampo e cólera estão a afetar particularmente as crianças, que já estão enfraquecidas por elevados níveis de malária e ausência de alimentação suficiente.

Apenas 22% da população tem acesso a água potável, que é seguro beber.

Além da violência no leste do país, tem havido uma escalada das tensões à medida que se aproximam as eleições agendadas para novembro, devido a receios de que o Presidente, Joseph Kabila, no poder desde 2001, altere a Constituição para se manter no poder.

O Presidente não tem mostrado sinais de se estar a preparar para abandonar o cargo e está agora a apelar para um "diálogo nacional" que permita um escrutínio pacífico.

"O aumento das violações dos direitos humanos na antecâmara das próximas eleições levanta a preocupação de a situação da segurança poder deteriorar-se se a crise política se aprofundar, agravando as já prementes necessidades humanitárias", sublinha o relatório.

Conflitos em nações vizinhas, como a República Centro-Africana e o Burundi, são também uma fonte de instabilidade, tendo empurrado cerca de 250.000 refugiados e requerentes de asilo para a RDCongo.

"Em 2016, é provável que a RDCongo continue a receber refugiados e requerentes de asilo dos países vizinhos, enquanto se debate também com pressões internas", alerta o documento da ONU.

Lusa

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