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"Muitos mais vão morrer" na Síria se cercos às cidades não forem levantados

O coordenador humanitário da ONU na Síria, Yacub el Hillo, instou hoje ao rápido levantamento dos cercos às cidades sírias, sem o que, argumentou, muitos habitantes morrerão.

Amel Emric

"Muitos mais [sírios] vão morrer se o mundo não agir mais depressa" em defesa dos cerca de 400.000 civis cercados na Síria, nomeadamente na cidade rebelde de Madaya, onde uma coluna humanitária conseguiu na segunda-feira entrar pela primeira vez desde outubro do ano passado.

"Isto tem de acabar", afirmou à imprensa, por telefone, a partir de Damasco.

Em Madaya, disse ter visto habitantes "sofrendo de subnutrição grave", em particular crianças "extremamente magras, quase esqueléticas", e condenou a "tática de guerra" utilizada pelos beligerantes.

O responsável das Nações Unidas recordou que, no total, 4,5 milhões de sírios se encontram em zonas de difícil acesso e que a ONU não consegue socorrê-las, e que 400.000 estão cercados pelas forças governamentais ou grupos rebeldes armados.

O Conselho de Segurança já exigiu, em vão, o levantamento dos cercos, em diversas resoluções que não surtiram quaisquer efeitos.

Em Madaya, a ONU conseguiu transportar para um hospital de Damasco uma menina de cinco anos e espera poder em breve instalar na cidade hospitais de campanha.

Cerca de 400 civis aguardam igualmente transporte médico de emergência, na maioria, mulheres e crianças com "problemas médicos complicados".

Estes doentes poderão ser transportados para hospitais em Damasco: "Tenho todas as razões para crer que é isso que vai acontecer", declarou Yacub el Hillo.

Uma coluna de ajuda humanitária com 40 camiões carregados de víveres, medicamentos e equipamento médico e roupa entrou na segunda-feira pela primeira vez desde outubro em Madaya, cidade síria sitiada há seis meses pelas forças governamentais.

Outras duas cidades cercadas por tropas rebeldes receberam também abastecimentos.

"Não é suficiente, as necessidades são imensas", sublinhou El Hillo, desejando que "as entregas continuem nos próximos meses a um ritmo mensal".

Lusa

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