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Kerry expressa gratidão a Teerão por libertação dos fuzileiros EUA

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, expressou hoje a sua "gratidão às autoridades iranianas" após a "libertação rápida" de dez fuzileiros detidos na terça-feira quando entraram em águas territoriais iranianas.

Mandel Ngan

Kerry não apresentou, contudo, qualquer pedido de desculpas a Teerão pelo incidente, precisou o porta-voz do departamento de Estado, John Kirby.

"Quero agradecer às autoridades iranianas pela sua cooperação e a sua resposta rápida", declarou hoje o chefe da diplomacia norte-americana num discurso em Washington.

Este tipo de situação "tem o potencial para derrapar completamente, se não for gerida de forma correta", acrescentou.

"Podemos todos imaginar como uma situação semelhante teria evoluído há três ou quatro anos", observou.

"É um testemunho do papel fundamental que a diplomacia pode desempenhar para manter o nosso país em segurança e forte", declarou ainda.

Os dez fuzileiros da marinha norte-americana, nove homens e uma mulher, estiveram detidos menos de 24 horas após a interceção, na terça-feira à tarde, dos dois barcos de patrulha rápidos em que navegavam ao largo da ilha Farsi, situada na parte norte do Golfo Pérsico e que pertencem ao Irão.

Estações televisivas norte-americanas -- entre as quais a CNN -- passaram diversas vezes as imagens dos militares de joelhos na ponte de um dos seus barcos de patrulha, com as mãos na nuca, captadas pelos iranianos. Nessas imagens, eram igualmente visíveis os passaportes dos fuzileiros norte-americanos.

A marinha dos Estados Unidos avançou a hipótese de um erro de navegação para explicar a entrada "não-intencional" das duas embarcações em águas territoriais iranianas.

"É possível cometer um erro de navegação desse tipo. Acontece, de vez em quando", comentou um responsável da marinha, citado pela agência de notícias francesa AFP.

Aquele ramo das Forças Armadas norte-americanas excluiu, em todo o caso, a hipótese de uma falha mecânica que tivesse levado os dois barcos e os dez fuzileiros a bordo a derivar para a ilha.

Os militares partiram hoje de manhã da ilha nos seus barcos. Ao abandonarem águas territoriais do Irão, foram transferidos para um navio norte-americano, o USS Anzio, segundo o Pentágono.

Os seus barcos retomaram a respetiva rota em direção ao Bahrein, o seu destino inicial, com outras tripulações.

Os nove homens e uma mulher libertados vão agora seguir um procedimento de "reintegração" criado para os militares norte-americanos feitos prisioneiros ou temporariamente separados da sua unidade.

O processo inclui, nomeadamente, uma reunião com os serviços de informações e exames médicos, de acordo com um responsável norte-americano.

Os dois barcos de patrulha em que os fuzileiros seguiam quando foram apresados pelas autoridades iranianas eram barcos rápidos de 18 metros ('Riverine command boat'), capazes de atingir os 40 nós (70 quilómetros por hora).

O incidente ocorreu a alguns dias da aguardada entrada em vigor do acordo histórico sobre o programa nuclear iraniano entre Teerão e as grandes potências.

Lusa

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