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Estudo revela que aquecimento global atinge profundamente os oceanos

Nas últimas duas décadas, os oceanos absorveram tanto calor resultante do aquecimento global como haviam absorvido durante os últimos 130 anos, revela um estudo hoje publicado.

© Stephane Mahe / Reuters

Essa absorção acelerada, que tem ajudado a manter os habitats humanos frios, a longo prazo pode ser uma bomba-relógio que afeta o estado do tempo e o clima a nível global, alertam os cientistas.

"Metade do total de calor acumulado pelos oceanos desde 1865 foi absorvido após 1997", ou seja, nos últimos 19 anos, segundo a equipa de investigadores, liderada por Peter Gleckler, do Laboratório Nacional Laurence Livermore, na Califórnia.

Um terço dessa acumulação de calor verificada nos anos mais recentes ocorreu a uma profundidade de 700 metros ou mais, fora do alcance da luz solar, o que pode explicar a aparente pausa no aquecimento que se observava na superfície do mar desde o final do século XX e que foi interpretada como uma desaceleração do aquecimento global.

As conclusões da investigação integram o mais recente número da publicação científica Nature Climate Change e resultam sobretudo de mecanismos de observação, tendo os primeiros dados sido recolhidos no século XIX pela expedição HMS Challenger, da Britain's Royal Society, entidade frequentemente descrita como tendo lançado as bases da oceanografia moderna.

Quanto aos registos mais recentes, foram obtidos por navios e - no caso das medições até 2.000 metros de profundidade - através das denominadas boias Argo espalhadas pelos oceanos.

Lusa

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