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Tailândia investiga caso de livreiro de Hong Kong que apareceu em vídeo na China

As autoridades da Tailândia estão a investigar o caso do livreiro de Hong Kong que apareceu num vídeo na China, em face da aparente ausência de registo da sua saída do país, onde estave de férias antes de desaparecer.

© Tyrone Siu / Reuters


O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Tailândia quebrou o silêncio na terça-feira, indicando que as autoridades se encontram a analisar o caso, sem desmentir, porém, a informação de um amigo de Gui Minhai -- o poeta dissidente Bei Ling -- que criticou as autoridades tailandesas por não darem seguimento a um relatório da polícia conhecido pouco depois de o editor ter desaparecido em Pattaya há três meses, noticia hoje o jornal South China Morning Post.

"Não há registos dele a sair da Tailândia", afirmou Bei Ling, referindo-se a Gui, que tem nacionalidade chinesa e sueca, repetindo a mensagem que as autoridades da Suécia terão transmitido à filha do livreiro, Angela.

Gui Minhai, editor e dono da livraria de Hong Kong Causeway Bay, célebre por vender obras críticas do regime comunista chinês, apareceu no passado domingo numa gravação transmitida pela televisão estatal chinesa CCTV, na qual diz que decidiu escapar da China depois de ter sido condenado a uma pena suspensa de dois anos de prisão em 2004, em Ningbo, na província de Zhejiang, pelo atropelamento fatal de uma jovem enquanto conduzia sob o efeito do álcool.

Gui afirmou que estava dominado pela culpa e que decidiu entregar-se.

Bei Ling apontou para a discrepância relativamente ao súbito reaparecimento, dado que Gui afirmou ter-se entregado por um acidente de viação que ocorreu há 12 anos.

Pouco depois do desaparecimento de Gui, em outubro, os seus amigos começaram a sua própria investigação, segundo Bei, e reportaram o caso à polícia tailandesa, que falhou em dar seguimento.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suécia não confirmou nem desmentiu a informação de que as autoridades tailandesas não encontraram registo da saída de Gui do país.

"Ainda estamos à espera de esclarecimentos por parte do governo chinês. Continua a não haver uma resposta deles", afirmou um porta-voz ao mesmo jornal.

A Suécia instou as autoridades da China a permitirem um encontro com o livreiro de Hong Kong após o seu reaparecimento na televisão estatal chinesa.

Gui Minhai foi um de cinco livreiros da Causeway Bay ou da editora associada (a Mighty Current) que desapareceram em circunstâncias misteriosas de Hong Kong.

Lee Boo, o último livreiro desaparecido no final de dezembro, residente de Hong Kong e com passaporte britânico, também "reapareceu", tendo as autoridades chinesas confirmado às de Hong Kong que se encontra na China.

A informação que chegou às autoridades de Hong Kong inclui uma carta escrita à mão por Lee Boo, semelhante à recebida pela sua mulher, em que o livreiro confirmava que se encontrava na China.

Através de um comunicado, a polícia da antiga colónia britânica pediu às autoridades chinesas para se encontrarem com o livreiro, de modo a esclarecer as circunstâncias do seu desaparecimento e a sua atual localização na China, já que os serviços de migração também não têm qualquer registo de que tenha atravessado qualquer posto fronteiriço.

A suspeita de que os livreiros foram detidos por homens ao serviço das autoridades da China desencadeou uma onda de revolta e preocupação em Hong Kong, por constituir uma violação do princípio "um país, dois sistemas" e os dois "reaparecimentos" vieram adensar o mistério.

Lusa

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