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Talibãs afegãos pedem retirada das sanções da ONU para dialogar com o Governo

Os talibãs afegãos reclamaram hoje "alguns passos preliminares", como a retirada das sanções da ONU, para que seja viável um diálogo de paz com o Governo do Afeganistão, que acabe com mais de 14 anos de guerra.

© Jonathan Ernst / Reuters

"Se alguma parte quer falar de paz com o Emirado Islâmico (como se autodenominam os talibãs), as listas devem ser retiradas antecipadamente", disse à EFE o porta-voz dos insurgentes, Zabihullah Mujahid, em alusão às sanções das Nações Unidas e dos EUA.

O porta-voz precisou que estas listas incluem "um tipo de proibição" para os talibãs, como "evitar viagens e visitas".

Num comunicado, os insurgentes asseguraram que "o estabelecimento de um gabinete oficial do Emirado Islâmico, a retirada da lista negra (da ONU) e da listas de recompensas (dos EUA), a libertação de prisioneiros e o fim da propaganda venenosa estão entre os passos preliminares".

Sem estes passos, "o processo até à paz não é viável", sublinham na nota, difundida em Cabul após a conferência convocada sábado no Qatar pela ONG Pugwash, para identificar soluções para o conflito afegão.

Os insurgentes confirmaram na sexta-feira a sua participação na conferência, que não teve a participação de representantes do Governo, após o lançamento do chamado Grupo dos Quatro (G4), formado pelo Afeganistão, Paquistão, China e os Estados Unidos, para relançar o processo de paz.

Os talibans e o Governo afegão realizaram em julho do ano passado, no Paquistão, a sua primeira reunião oficial, mas o processo foi suspenso dias após o anúncio de que o fundador do movimento insurgente, o mullah Omar, tinha morrido em abril de 2013.

O G4, que manteve a 11 de janeiro a sua primeira reunião em Islamabad e a 18 a segunda em Cabul, tenta reiniciar o processo de negociações sem condições prévias.

O Conselho de Segurança da ONU renovou no mês passado o regime de sanções contra os talibans, incluindo o bloqueio de bens, proibição de viagens e embargo de armas, uma decisão que, em seguida, os rebeldes consideraram representar uma "nova barreira" para as negociações de paz.

Os Estados Unidos têm cerca de 9.800 soldados no Afeganistão, dos quais cerca de metade irá permanecer no país após o final do mandato do presidente Barack Obama, em janeiro de 2017, enquanto a NATO anunciou que vai triplicar a sua presença em 2016, para cerca de 12.000 efetivos, devido à situação de insegurança no país.

Lusa