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Artista chinês encerra exposição contra lei que permite confiscar valores aos refugiados

O artista dissidente chinês Ai Weiwei anunciou hoje o encerramento da exposição que tinha patente em Copenhaga em protesto pela adoção da polémica lei sobre imigração que permite a confiscação de valores aos refugiados.

© TT News Agency / Reuters

"Ai Weiwei decidiu encerrar a sua exposição 'Ruptures' na Fundação Faurschou em Copenhaga, Dinamarca. A decisão foi tomada na sequência da aprovação no parlamento dinamarquês da proposta de lei que permite a confiscação de valores e adia o reagrupamento familiar dos candidatos a asilo", lê-se numa mensagem colocada nas contas oficiais do artista no Facebook e no Instagram.

A exposição, inaugurada em março de 2015, deveria decorrer até meados de abril de 2016.

"Apoio a decisão de Ai Weiwei, é uma questão de liberdade e de direitos humanos. Penso que isto é verdadeiramente muito triste", disse o dono da galeria, Jens Faurschou, à agência France Presse.

A lei, proposta por um partido anti-imigração e aprovada com os votos da direita e dos sociais-democratas, foi muito criticada pela confiscação dos bens, comparada por alguns à espoliação dos judeus pelo regime nazi, e pelo adiamento do direito ao reagrupamento familiar, considerado por juristas como contrário a várias convenções internacionais.

Artista polivalente e ativista dos direitos humanos, Ai Weiwei, 58 anos, esteve preso três meses na China e privado do passaporte nos quatro anos seguintes devido às críticas que fez ao governo de Pequim. Só em julho passado pode voltar a viajar para o estrangeiro.

"Quando ele vivia na China, apontava os problemas de lá. Agora vive na Europa, aponta os daqui. Ele tem uma voz global", disse o galerista à BBC.

Já anteriormente, Ai Weiwei tinha manifestado solidariedade com os migrantes que tentam chegar à Europa, anunciando a intenção de construir um monumento na ilha grega de Lesbos em memória dos que morrem na travessia do Mediterrâneo.

Lusa