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Liberdade diminui pelo 10º ano consecutivo

A organização não-governamental Freedom House considera que várias crises simultâneas em 2015 aumentaram os sentimentos xenófobos nas democracias e as pressões dos ditadores sobre contestatários, resultando na diminuição das liberdades no mundo pelo 10.º ano consecutivo.

© Lucas Jackson / Reuters

No seu relatório relativo ao ano passado que foi hoje divulgado, a Freedom House - que leva 75 anos de existência - indica que as democracias na Europa e nos Estados Unidos tiveram dificuldades em lidar com conflitos fora das suas fronteiras, como a guerra civil na Síria. Este conflito - responsável por milhares de mortos naquele território e em países fronteiriços gerou igualmente uma onda de refugiados para os países mais desenvolvidos em em paz a ocidente, mas também alimentou grupos terroristas que, por sua vez, organizaram e fomentaram ataques terroristas noutros países.

Assim, nota a Freedom House, estas preocupações levaram os países democráticos a reações "populistas e, muitas vezes, preconceituosas", bem como novas medidas de segurança, que - em ambos os casos - "ameaçam os valores centrais de sociedades abertas".

"Em primeiro lugar [notou-se] uma falta de habilidade a nível mundial de apresentar uma estratégia unificada e credível para lidar com a mortífera guerra na Síria e com a crise de refugiados que se gerou", escreve a Freedom House.

Tendo "falhado" no apoio ao regime moderado que se opunha ao presidente Bashar Al-Assad nas primeiras fases do conflito, "os Estados Unidos e a Europa são agora confrontados com uma crise de proporções globais", que representa "o mais complexo desafio à paz e à estabilidade" dos próximos anos.

Por outro lado, registaram-se em 2015 desenvolvimentos positivos em alguns países, sobretudo a nível político. Na Nigéria, na Venezuela e em Myanmar realizaram-se eleições que afastaram ou diminuiram o poder dos vários regimes, dando "uma oportunidade a novos parlamentos ou novos a líderes [da oposição] de enfrentarem a corrupção, a decadência económica ou problemas securitários".

Do ponto de vista económico, o abrandamento do crescimento na China - conjugado com uma desvalorização dos mercados acionistas e desvalorização da moeda - diminuiu o preço de produtos como o petróleo e outras "commodities", diminuindo bruscamente as receitas de exportações de muitas ditaduras em todo o mundo, "o que ameaça os alicerces económicos em que assentam a sua legitimidade".

"O preço do petróleo - que também baixou devido à recusa da Arábia Saudita de diminuir a sua produção e ao aumento da produção de longo prazo dos Estados Unidos - ameaçou a saúde económica de petro-Estados como Angola ou o Azerbeijão", adiantou a ONG.

Confrontados com a possível "diminuição dos gastos e um retrocesso nos padrões de vida - e com o aumento das pressões sociais relacionadas - muitos desses regimes apertaram os ativistas de direitos humanos e outros críticos".

O relatório constata assim um aumento do número de países que pioraram a sua nota face ao ano de 2014, com a Síria, o Tibete, a Somália e a Coreia do Norte entre "os piores entre os piores".

No entanto, 69% da população mundial vive em sistemas democráticos, com a Índia, os Estados Unidos e o Brasil como as três grandes nacões democráticas do mundo, em termos de população.

Três países entraram na classificação de país "livre" em 2015: a Costa do Marfim, a Nigéria e o Sri Lanka. Outros três perderam esse nível: Honduras, Macedónia e as Maldivas.

Lusa

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