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Reino Unido dá "luz verde" para manipulação genética de embriões humanos

O Governo do Reino Unido deu pela primeira vez "luz verde" aos cientistas para procederem a manipulações genéticas em embriões humanos como parte de uma investigação para determinar por que razão ocorrem abortos.

reuters

A notícia foi avançada hoje pela cadeia de televisão britânica BBC, que refere que a decisão poderá levantar muitas dúvidas éticas.

"O Comité de Licenciamento aprovou um pedido de (a investigadora) Kathy Niakan, do Instituto Francis Crick para renovar a licença de investigação e incluir a manipulação de genes em embriões" humanos, indica uma declaração da Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana (HFEA, no acrónimo inglês).

A investigação vai decorrer, assim, no Instituto Francis Crick, com sede em Londres, e vai permitir também um melhor conhecimento dos primeiros momentos da vida humana.

As experiências serão feitas em embriões nos primeiros sete dias após a fertilização e poderão explicar as razões porque acontecem abortos.

No entanto, os cientistas não poderão, depois, implantar os embriões manipulados em mulheres.

No início de janeiro, a investigadora Kathy Niakan explicou as razões pelas quais solicitou autorização para manipular embriões humanos, alegando a necessidade de entender os genes que necessitam de um embrião humano para desenvolver com sucesso um bebé saudável.

"A razão pela qual isso é tão importante passa pelo facto de serem comuns os casos de aborto e de infertilidade, que ainda não estão bem entendidos", argumentou.

"Em cada 10 ovos fertilizados, menos de 50 atingem a fase inicial de blastoderme, 25 chegam ao útero e apenas 13 se desenvolvem para além dos três meses"

A agência reguladora, a HFEA, acabou por aceitar os argumentos da cientista, que passou a última década a investigar o desenvolvimento humano, em particular os sete primeiros dias do embrião, e as experiências deverão começar dentro de poucos meses.

"Estou encantado por a HFEA ter aprovado o pedido de Niakan, cuja investigação é importante para perceber como se desenvolve de forma saudável um embrião humano. Vai também melhorar o nosso conhecimento sobre as taxas de sucesso da fertilização «in vitro» ao olhar para o início dos inícios do desenvolvimento humano", afirmou Paul Nurse, diretor do instituto.

Nos dez anos de pesquisa de Niakan, conseguiu-se acompanhar desde o processo de fertilização do ovo até à estrutura conhecida por blastoderme, contendo 200 a 300 células, explicou Nurse.

No entanto, Nurse admitiu que no início da fase da blastoderme, algumas células foram organizadas para desempenhar papéis específicos - algumas vão formar a placenta, outras o saco gestacional e outras ainda o próprio ser humano, prosseguiu, indicando que, durante este período, partes do ADN humano ficam "muito ativas".

Segundo Nurse, é provável que estes genes possam "guiar" os passos iniciais do desenvolvimento, mas ainda está por esclarecer qual o seu papel e o que leva à interrupção espontânea da gravidez.

O terreno aberto por esta possibilidade científica está já a gerar alguma controvérsia, com vários investigadores a defenderem a ideia de que alterar o ADN de um embrião "é ir longe demais".

"O uso de tecnologias de manipulação do genoma na investigação dos embriões é uma questão muito sensível. Por isso, seria bom que esta investigação e as suas implicações éticas fossem devidamente consideradas pelo HFEA antes do regulador aprovar o procedimento"", afirmou Sarah Chan, da Universidade de Edimburgo.

"Temos de nos sentir confiantes de que o nosso sistema de regulação nesta área está a funcionar bem, para que a ciência possa manter-se alinhada com os interesses da sociedade", concluiu.

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