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A "loucura coletiva de fazer uma coisa portuguesa em Bogotá"

REPORTAGEM SIC

Um português, uma colombiana, uma história de amor, e a vontade de juntar os dois países num restaurante e centro cultural em Bogotá. Luís de Matos e Lina Gomez preparam-se para abrir a Casa da Cultura Colombo-Portuguesa num bairro de Bogotá, no início de Fevereiro.

Luís de Matos tem 65 anos e vive na Colômbia há 30. Português da zona da Nazaré, fez o serviço militar em Moçambique e regressou a Portugal em 1974, mas não ficou muito tempo. De Lisboa, viajou rumo a Londres para estudar hotelaria e ficou durante 15 anos. Depois, decidiu experimentar a Colômbia: "Eu via que de alguma forma havia horizontes mais interessantes para viver fora da Europa, e decidi tentar".

Significa isto que chegou a Bogotá numa altura em que o conflito com a guerrilha não deixava ninguém indiferente. João não é exceção: "recordo-me que pelos anos de 1990, na época do Escobar, eu tinha um restaurante inglês espetacular e, de um dia para o outro, rebentou lá uma bomba e vieram os vidros todos parar cá abaixo.". Explica que esses anos foram direta ou indiretamente difíceis para todos, "não há dúvida nenhuma", porque "toda a gente conhece um ou outro caso de pessoas afetadas pela guerrilha".

Ao longo dos últimos 30 anos teve vários restaurantes na cidade de Bogotá, "italianos, ingleses, mediterrânicos, franceses, mas nunca portugueses", e a razão de agora se lançar num projeto que quer juntar a cultura portuguesa com a cultura colombiana prende-se menos com o negócio e mais com o coração: '"basicamente por causa da Lina, que é a minha mulher presente, com quem passo uma vida feliz de há uns anos a esta parte. Ela apaixonou-se por Portugal de uma forma incrível, e eu julgo que quando a gente gosta de uma pessoa tem que seguir-lhe mais ou menos os passos, não é?"

Lina Gomez, que assiste à conversa, sorri e sublinha a ideia: "creio que este projeto foi fruto do amor. Enamorei-me de um português, já maior, já depois de separada há muitos anos e com filhos e netos, e quando me encontrei com o Luís na vida, apaixonei-me por ele e por Portugal."

Esta colombiana casada com um português, já visitou várias vezes Portugal, "um país limpo e sem contaminação", e rendeu-se à gastronomia: "Gosto muito das sardinhas assadas, do arroz de marisco da Ericeira, do bacalhau - que é um prato muito complicado e com muitas possibilidades de confeção. Gosto do azeite, das azeitonas e do arroz de tomate, mas os meus preferidos são os queijos, por serem muito artesanais."

Lina e Luís não vão conseguir trazer queijos portugueses para a Casa da Cultura Colombo Portuguesa de Bogotá mas querem vender azeite e vinho, além do artesanato e da gastronomia. Este espaço com cerca de 1000 metros quadrados está dividido em três ambientes diferentes. Um restaurante, uma 'Loja do Galo' e uma zona para diversão noturna.

A Loja do Galo terá artesanato português à venda mas também vinho e azeite. O restaurante servirá pratos como Cataplana de Marisco, Espetadas da Ilha da Madeira ou Pataniscas de Bacalhau. Um desafio complicado de levar a cabo, também por causa das condições geográficas desta cidade colombiana, como explica Luís de Matos: "aqui em Bogotá estamos a 2600/2700 metros de altura. A água não ferve a 100 graus, ferve a 97, e temos sérios problemas de confeção, sobretudo com comidas que vão ao forno, não conseguem subir. Há muitas dificuldades técnicas com pasteis e pratos de forno."

No entanto, apesar das dificuldades de confeção, insistem, e acreditam que terão público para este projeto entre "a comunidade portuguesa, os imigrantes brasileiros, e os portugueses que viviam na Venezuela que estão a vir para cá."

Luís e Lina falam da Casa da Cultura Colombo-Portuguesa como "uma aventura, a vontade de juntar duas culturas como nós dois nos juntámos "e um negócio que, sendo importante para ambos, é também muito mais do que isso: "Isto é uma loucura coletiva de fazer uma coisa portuguesa em Bogotá. Realmente o que nos faz fazer este projeto é a paixão, de maneira que só o que vamos desfrutar o restaurante e a loja é suficiente para justificar a construção."

Raquel Marinho

SIC

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