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Polónia reabre investigação a queda de avião presidencial

O ministério da Defesa polaco vai nomear nomeia na quinta-feira uma comissão para reabrir a investigação ao acidente aéreo na Rússia onde em 2010 se despenhou o avião presidencial polaco, matando os 96 ocupantes, incluindo o chefe de Estado.

Mikhail Metzel

O porta-voz da Defesa, Bartlomiej Misiewicz, anunciou hoje à imprensa que o ato de reabertura da investigação contará previsivelmente com a presença de alguns dos familiares das vítimas mortais do acidente.

O atual ministro da Defesa, Antoni Macierewicz, é um dos políticos do partido no poder, Lei e Justiça, que mais insistiram em que a causa da queda do avião presidencial polaco foi um engenho explosivo -- hipótese afastada nas diversas investigações realizadas -- e não apenas as más condições meteorológicas.

A 10 de abril de 2010, o avião despenhou-se quando pretendia aterrar no aeródromo russo de Smolensk, de onde a comitiva presidencial se dirigiria por terra a uma cerimónia no cemitério de Katyn.

Perderam a vida todos os ocupantes do aparelho, entre os quais o então Presidente da Polónia, Lech Kaczynski, a mulher, e grande parte da cúpula militar, eclesiástica e política do país, próxima do partido nacionalista conservador Lei e Justiça.

Devido ao espesso nevoeiro daquela manhã, as autoridades russas ofereceram aos pilotos a hipótese de aterrar noutro aeroporto, mas a oferta foi recusada.

Um relatório elaborado por especialistas polacos revelou uma série de erros tanto do lado polaco como dos funcionários russos da torre de controlo, ao passo que o relatório de Moscovo elaborado nas mesmas datas atribuiu toda a culpa aos polacos.

Ambas as investigações descartaram a hipótese de uma explosão como causa do acidente e concordaram que o avião voava demasiado baixo devido à falta de visibilidade provocada pela névoa, quando uma asa embateu em árvores e levou ao despenhamento.

O partido Lei e Justiça, que ganhou as eleições gerais de outubro passado, prometeu durante a campanha reabrir a investigação sobre o acidente e sugeriu que Donald Tusk, então primeiro-ministro polaco e atual presidente do Conselho Europeu, deveria sentar-se no banco dos réus pela sua atuação negligente.

A 27 de janeiro deste ano, um tribunal de Varsóvia decidiu reabrir o processo contra cinco funcionários polacos, entre os quais o ex-embaixador da Polónia em Espanha, Tomasz Arabski, que serão julgados por negligência na preparação da viagem do avião presidencial polaco.

O processo estava arquivado depois de, em 2014, o ministério público de Varsóvia ter rejeitado o pedido apresentado por 11 familiares de vítimas do acidente, alegando que não encontrava provas de atuação negligente.

Lusa

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