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Líderes mundiais reúnem-se para angariar fundos para a Síria

Dirigentes do mundo inteiro reúnem-se hoje para juntar nove mil milhões de dólares destinados aos 18 milhões de sírios vítimas da guerra e deter a crise dos refugiados que, do Médio Oriente à Europa, paira sobre os países de acolhimento.

(Arquivo/Reuters)

(Arquivo/Reuters)

© Omar Sanadiki / Reuters

Organizada pela ONU, Reino Unido, Kuweit, Noruega e Alemanha, esta conferência de doadores, a quarta do género - agora em Londres -, visa responder ao pedido de angariação de 7,73 mil milhões de dólares feito pelas Nações Unidas, ao qual se juntam 1,23 mil milhões de dólares para ajuda aos países da região.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, vai receber mais de 70 responsáveis internacionais, entre os quais a chanceler alemã, Angela Merkel, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e também representantes de organizações não-governamentais e do setor privado.

Desencadeado em março de 2011 por manifestações pacíficas contra o regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, o conflito na Síria fez mais de 260.000 mortos e provocou uma grave crise humanitária, com cerca de 13,5 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade ou deslocadas, em território nacional.

Esta complexa guerra com múltiplos atores obrigou igualmente 4,6 milhões de sírios a procurar refúgio nos países vizinhos (Jordânia, Líbano, Turquia, Iraque e Egito), ao passo que centenas de milhares se dirigiram para a Europa, arriscando muitas vezes a vida.

Do pequeno Aylan afogado que deu à costa numa praia turca, à morte por inanição de Ali, de 16 anos, na localidade síria cercada de Madaya, os últimos meses expuseram aos olhos do mundo a violência do conflito e das suas consequências para os civis.

Para responder ao drama sírio, os doadores deverão agora abrir os cordões às bolsas, mas também "chegar a acordo sobre ações concretas", explicou David Cameron, referindo-se à criação de empregos para os refugiados instalados nos países vizinhos da Síria.

"Não é apenas no interesse da Síria e dos seus vizinhos, é também no interesse dos países europeus. Quanto mais ajudarmos as pessoas a ficarem na região, menos probabilidades haverá de elas virem para a Europa", sublinhou.

Para tal, Cameron propõe facilitar as trocas comerciais entre a Jordânia e a União Europeia e impor um mínimo de trabalhadores sírios em alguns setores.

Do lado da Alemanha, o teor do discurso é o mesmo, assim como o objetivo, numa altura em que Merkel vê a sua popularidade cair por ter vestido a camisola de protetora dos refugiados.

"A longo prazo, a educação e o trabalho devem contribuir (...) para deter o fluxo de refugiados com destino à Europa", considerou o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier.

Estas medidas deverão igualmente ter em conta o crescente ressentimento dos autóctones que vivem lado a lado com os refugiados.

"A angústia e a vulnerabilidade crescente dos refugiados sírios e a perceção cada vez maior nas comunidades de acolhimento de que os refugiados constituem uma ameaça aos seus próprios meios de subsistência representam um dos maiores riscos para a estabilidade da região", frisa um relatório do Plano de Ajuda Regional aos Refugiados e à Resistência (3RP).

O rei Abdallah II da Jordânia, que estará hoje em Londres, disse já que o seu país, que acolheu cerca de 630.000 refugiados, segundo os números do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), "não pode continuar assim".

"Mais cedo ou mais tarde, penso que o dique vai ceder", declarou à estação televisiva britânica BBC, acrescentando que espera que a comunidade internacional retifique a estratégia e aumente "a ajuda e o apoio" ao seu país e aos países vizinhos.

A conferência, que decorre uma semana após a abertura das negociações de paz em Genebra, centrar-se-á também nas dificuldades de encaminhamento da ajuda em território sírio e na educação.

"São necessários esforços urgentes para salvar esta geração de crianças", disse o diretor regional da UNICEF para o Médio Oriente e a África do Norte, Peter Salama.

"É uma corrida contra o tempo", alertou, porque a guerra já deixou sem escola 700.000 crianças.

Lusa

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