sicnot

Perfil

Mundo

Guterres "entre os candidatos mais fortes" a secretário-geral da ONU

O ex-conselheiro especial de Ban Ki-moon e analista da ONU Edward C. Luck acredita que António Guterres "estará, sem dúvida, entre os candidatos mais fortes" a secretário-geral das Nações Unidas, mas a sua candidatura terá de "remar contra a maré".

António Guterres, antigo primeiro-ministro de Portugal, exerceu o cargo de Alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) até ao final de 2015.

António Guterres, antigo primeiro-ministro de Portugal, exerceu o cargo de Alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) até ao final de 2015.

© Denis Balibouse / Reuters (Arquivo)

"António Guterres estará, sem dúvida, entre os candidatos mais fortes a próximo secretário-geral da ONU", disse Luck, em entrevista à Lusa.

A apresentação oficial da candidatura do antigo primeiro-ministro socialista, que até 31 de dezembro passado ocupou o cargo de alto-comissário da das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), deverá acontecer ainda este mês.

Explicando os argumentos do português, Luck disse que Guterres "foi, durante uma década, um eloquente defensor para o número cada vez maior de pessoas deslocadas à forca" e que a luta destas pessoas "será, com certeza, um dos mais urgentes desafios que o mundo enfrentará nos próximos anos."

O professor de relações internacionais da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, disse também que, enquanto primeiro-ministro de Portugal, Guterres mostrou "ter a perspicácia política que será essencial num ambiente político internacional e geopolítico altamente complexo e muitas vezes contencioso."

"Além disso", lembrou Luck, "os líderes da ONU geralmente vêm de pequenos ou médio poderes, como Portugal."

Na Carta das Nações Unidas estabelece-se que o cargo de secretário-geral é designado pela Assembleia Geral da organização, depois de aprovado pelo Conselho de Segurança, onde tem que passar pelo crivo dos cinco países com assento permanente e poder de veto: Estados Unidos da América, Reino Unido, Rússia, França e China.

Essa eleição, que decorrerá ainda durante este ano, é um processo complexo que envolve vários equilíbrios geoestratégicos e que obedece à necessidade de os candidatos preencherem diversos critérios.

Sobre os obstáculos que o português enfrentará, Luck salientou que "o campo de candidatos este ano é invulgarmente forte, uma vez que os estados-membros começam a perceber quão importante é este cargo para fazer avançar uma agenda global progressiva que enfrente ameaças e oportunidades comuns."

Da Bulgária surgiram dois nomes, a diretora geral da Unesco, Irina Bokova, que é apoiada oficialmente pelo governo, e a comissária europeia para o Orçamento e Recursos Humanos, Kristalina Georgieva.

A Macedónia apresentou o nome do seu ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e atual presidente da Assembleia Geral da ONU, Srgjan Kerim.

A Croácia apoia a candidatura da sua ministra dos Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus, Vesna Pusíc.

Quanto à Eslovénia, apresentou o nome do ex-Presidente da República Danilo Türk.

Olhando para este grupo de candidatos, Edward C. Luck disse que "género e geografia não favorecem" António Guterres na eleição deste ano.

"Muitos membros expressaram a determinação de encontrar uma mulher altamente qualificada para o cargo, algo que seria inédito. Várias mulheres promissoras declararam a sua intenção ou aguardam nos bastidores", explicou.

O especialista explicou ainda que "um número de países, especialmente da Europa de Leste ou do mundo em desenvolvimento, parece sentir que este é o momento certo para a Europa de Leste ter o cargo."

"Por isso, apesar de Guterres ser soberbamente qualificado para tornar-se o próximo secretário-geral, o seu caminho será contra a maré", concluiu Edward C. Luck.

António Guterres também reconheceu, esta semana, que existem "muitas dificuldades" na sua candidatura, mas disse que entendeu ser seu dever manifestar essa disponibilidade.

"Não é fácil como é sabido, há um conjunto de circunstâncias complexas que rodeiam essa eleição, mas acho que é meu dever estar disponível, mas com muita tranquilidade", afirmou, depois de ter sido condecorado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Lusa

  • Traço contínuo às curvas
    2:42
  • Quando se pode circular pela esquerda? A GNR explica (e fiscaliza)
    5:46

    Edição da Manhã

    A regra aplica-se a autoestradas e outras vias com esse perfil mas dentro das localidades há exceções. A Guarda Nacional Republicana está a promover em todo o território nacional várias ações de sensibilização e fiscalização no sentido de prevenir e reprimir a circulação de veículos pela via do meio ou da esquerda quando não exista tráfego nas vias da direita. O major Paulo Gomes, da GNR, esteve na Edição da Manhã. 

  • Cristas calcula défice de 3,7% sem "cortes cegos" das cativações
    0:45

    Economia

    Assunção Cristas diz que o défice de 2,1% só foi conseguido porque o Governo fez cortes cegos na despesa pública. Esta manhã, depois de visitar uma unidade de cuidados continuados em Sintra, a presidente do CDS-PP afirmou que, pelas contas do partido, sem cativações, o défice estaria nos 3,7%.

  • Reservas de viagens na Páscoa e no verão aumentaram
    1:19

    Economia

    As reservas de viagens no período da Páscoa e do verão aumentaram este ano, tanto para o estrangeiro como para dentro de Portugal. O Algarve, a Madeira e os Açores continuam a ser os destinos de eleição. Os portugueses estão também a marcar férias com mais antecedência, uma das receitas para conseguir melhores preços.

  • Escada rolante inverte sentido e varre dezenas de pessoas
    1:15
  • Sol influencia alterações climáticas na Terra

    Mundo

    As flutuações da atividade solar têm um efeito sobre o clima da Terra, concluiu um estudo de investigadores suíços, que conseguiu, pela primeira vez, estimar a influência do Sol no aquecimento do planeta.