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Desastres relacionados com clima superam qualquer tipo de catástrofe

Os desastres relacionados com as alterações climáticas superam em número e intensidade os causados por qualquer outro tipo de catástrofe, assinalaram hoje em Genebra instituições internacionais especializadas na questão.

O El Niño já provocou severas alterações meteorológicas, como inundações ou secas e alcançou o seu "pico" em novembro e dezembro de 2015. Uma dos países mais afetados tem sido Moçambique.

O El Niño já provocou severas alterações meteorológicas, como inundações ou secas e alcançou o seu "pico" em novembro e dezembro de 2015. Uma dos países mais afetados tem sido Moçambique.

© Eldson Chagara / Reuters

O ano de 2015 foi o mais quente desde meados do século XIX, quando começaram a registar-se as temperaturas, o que os especialistas relacionam com a existência de 32 secas graves, contra uma média anual de 15 no decénio anterior.

"Ultrapassamos o ano mais quente jamais registado, durante o qual 98,6 milhões de pessoas foram afetadas por desastres", disse o diretor do gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Catástrofes (UNISDR), Robert Glasser, ao apresentar aqueles dados à imprensa.

A China foi o país mais afetado por desastres o ano passado, com um total de 26, seguido dos Estados Unidos (22), da Índia (19), Filipinas (15) e Indonésia (11).

As secas foram o tipo de desastre que afetou maior número de pessoas, com um total de 50,5 milhões de vítimas, seguidas das inundações, com 27,5 milhões.

As tempestades -- intensificadas pelos distúrbios do clima devido ao aquecimento do planeta -- aparecem em terceiro lugar com 10,5 milhões de vítimas.

No entanto, de acordo com o Centro de Investigação sobre a Epidemiologia das Catástrofes (CRED), os desastres em 2015 causaram 22.773 mortos, uma redução considerável face à média anual dos 10 anos anteriores que foi de 76.424 vítimas mortais.

As mortes do ano passado registaram-se em 346 desastres, incluindo as 8.831 do terramoto no Nepal.

As temperaturas extremas, sobretudo as vagas de calor, incluem-se também nos desastres graves ocorridos em 2015.

"Vários países da Europa enfrentaram limites de calor com números significativos de vítimas mortais, sobretudo em França, enquanto a Índia e o Paquistão viveram vagas de calor que estão entre as mais graves dos últimos tempos", disse a diretora do CRED, Debarati Guha-Sapir, considerando que "a mortalidade devido às vagas de calor está muito subestimada".

Lusa