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Descobriu-se nova forma de olhar o Universo, diz físico Stephen Hawking

O físico britânico Stephen Hawking afirmou hoje que a deteção das ondas gravitacionais, a última previsão que estava por comprovar das teorias do físico alemão Albert Enstein, abre a porta a "uma nova forma de olhar o Universo".

Stephen Hawking numa conferência em Londres a 20 de julho de 2015.

Stephen Hawking numa conferência em Londres a 20 de julho de 2015.

"A capacidade de as detetar tem o potencial de revolucionar a Astronomia", disse à estação televisiva britânica BBC o físico teórico de 74 anos, especialista em buracos negros.

A deteção destas ondas, os sinais que grandes cataclismos deixam no Universo, constitui também "a primeira prova de um sistema binário de buracos negros e a primeira observação de buracos negros fundindo-se", sublinhou Hawking.

"Além de provar a Teoria da Relatividade Geral, podemos esperar ver buracos negros ao longo da história do Universo. Poderemos inclusive ver os vestígios do Universo primordial, durante o Big Bang", graças às ondas gravitacionais, salientou o físico.

A investigadora Sheila Rowan, da Universidade de Glasgow, que participou no projeto do Observatório Norte-Americano de Interferometria Laser (LIGO) que detetou as ondas, descreveu o seu trabalho como "uma viagem fascinante".

"Estamos sentados aqui na Terra observando como as costuras do Universo se esticam e encolhem devido a uma fusão de buracos negros que ocorreu há mais de mil milhões de anos", observou Rowan.

"Quando ligámos os nossos detetores, o Universo estava pronto, à espera para dizer 'olá'", disse a investigadora.

Einstein tinha razão, afirmaram físicos 100 anos depois

Os cientistas do LIGO anunciaram hoje numa grande conferência de imprensa em Washington que as ondas gravitacionais cuja existência Albert Einstein previu há um século na sua Teoria da Relatividade Geral foram pela primeira vez detetadas de forma direta a 14 de setembro do ano passado.

O anúncio pôs fim a meses de rumores e grande expectativa entre a comunidade científica perante uma descoberta que abre a porta à redescoberta do Universo, desta vez sem necessidade da luz.

As ondas foram detetadas às 09:51 TMG do dia 14 de setembro de 2015 pelos dois detetores do LIGO, um localizado em Livingston (Louisiana) e outro em Hanford (Washington).

As ondas gravitacionais contêm informação sobre as suas dramáticas origens e sobre a natureza da gravidade que não podem ser obtidas de nenhuma outra maneira.

Os físicos concluíram que as ondas gravitacionais detetadas foram produzidas durante a fração final de um segundo da fusão de dois buracos negros num de maiores dimensões. Essa colisão de dois buracos negros tinha sido prevista, mas nunca observada.

Como esse tipo de sistemas é pouco frequente, esse tipo de fontes encontra-se a distâncias de anos-luz. Portanto, a busca de ondas gravitacionais implica tentar encontras os minúsculos efeitos de alguns dos sistemas astrofísicos mais energéticos nas profundidades do Universo.

Lusa

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