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Físicos anunciam ter detetado ondas gravitacionais de Einstein

Foi confirmada a existência das ondas gravitacionais, defendida por Albert Einstein há um século, na famosa Teoria da Relatividade Geral. Um dos maiores avanços da física que abre uma nova janela sobre o Universo e os seus mistérios.

Simulação de ondas gravitacionais provenientes de dois buracos negros.

Simulação de ondas gravitacionais provenientes de dois buracos negros.

S. Ossokine , A. Buonanno (MPI for Gravitational Physics)/W. Benger (Airborne Hydro Mapping GmbH)

Dr. David Reitze, Diretor Executivo do Laboratório LIGO, mostra a colisão de dois buracos negros ma conferência de imprensa para anunciar a deteção das ondas gravitacionais.

Dr. David Reitze, Diretor Executivo do Laboratório LIGO, mostra a colisão de dois buracos negros ma conferência de imprensa para anunciar a deteção das ondas gravitacionais.

© Gary Cameron / Reuters

Cientistas de várias nacionalidades anunciaram hoje a primeira deteção direta de ondas gravitacionais, uma descoberta que coroa décadas de esforços e que confirma a afirmação de Albert Einstein na sua Teoria da Relatividade Geral de 1915.

No anúncio, os físicos revelaram que ouviram as ondas gravitacionais produzidas pela colisão de dois buracos negros a 400 megaparsecs (1.3 mil milhões anos-luz) da Terra. A revista científica Nature reproduz a comunicação.

As ondas gravitacionais foram detetadas a 14 de setembro de 2015 pelos dois instrumentos do Observatório Ligo (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory), nos EUA. São dois aparelhos gigantes, cada um com 4 quilómetros de comprimento, separados por 3 mil quilómetros: um em Livingston, na Luisiana, nos sul do país, o outro em Hanford, no estado de Washington, no noroeste.

A banda sonora do Cosmos

As ondas gravitacionais são produzidas por ligeiras perturbações no tecido do espaço-tempo, como resultado da deslocação de um objeto de grande massa. Propagam-se à velocidade da luz e nada as consegue parar. Espera-se que permitam observar a História do Cosmos até épocas remotas.

"A nossa observação das ondas gravitacionais cumpre o ambicioso objetivo definido há cinco décadas de detetar de forma direta este fenómeno e entender melhor o Universo", explicou a diretora executiva do laboratório LIGO. "Além disso, completamos o legado de Einstein no centenário da sua Teoria da Relatividade Geral", acrescentou.

Uma descoberta que abre uma nova janela para a observação do Cosmos, já que, até agora, os astrónomos valeram-se de diferentes formas de luz (ondas eletromagnéticas) para observar o Universo.

Agora, é como se um filme mudo passasse a ter som. "Até agora olhávamos para o céu e não conseguíamos ouvir a música", sintetizou outro dos cientistas envolvidos na descoberta, o astrofísico Szabolcs Marka da Universidade Columbia.

A Teoria de Einstein

O físico teórico alemão Albert Einstein (1879-1955) defendeu, na Teoria da Relatividade Geral que o celebrizou, que os objetos que se movem no Universo produzem ondulações no espaço-tempo e que estas se propagam pelo espaço. Previu, assim, a existência das ondas gravitacionais e demonstrá-la de forma direta era o último desafio em aberto da Relatividade.

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