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Papa pede aos prelados mexicanos para lutarem contra a violência e corrupção

O papa Francisco pediu hoje aos padres para não se resignarem face à violência e corrupção, durante um encontro com religiosos num estádio de Morelia, capital do estado de Michoacán (oeste), um dos bastiões do narcotráfico no México.

"[Os cristãos e as minorias em algumas partes do mundo são] mártires dos tempos modernos, humilhados e discriminados por causa da fidelidade ao Evangelho." - Papa Francisco (6-08-2015)

"[Os cristãos e as minorias em algumas partes do mundo são] mártires dos tempos modernos, humilhados e discriminados por causa da fidelidade ao Evangelho." - Papa Francisco (6-08-2015)

© Tony Gentile / Reuters

"Que tentação poderá provir dos meios frequentemente dominados pela violência, a corrupção, o tráfico de droga, o desprezo pela dignidade da pessoa, a indiferença face ao sofrimento e a precaridade? Que propensão se pode ter face a esta realidade que parece ter-se tornado num sistema inamovível? Creio que podemos defini-la como resignação", observou o papa perante dezenas de milhares de padres, religiosos, religiosas e seminaristas.

"A resignação é uma das armas preferidas do diabo! Uma resignação que nos paralisa e que não apenas nos assusta mas que nos faz recuar nas nossas sacristias e nas nossas aparentes seguranças. Uma resignação que apenas nos impede de assumir os riscos e transformar as coisas", disse Francisco nesta região que tem assistido à emergência de poderosos cartéis da droga, muitos deles com referências católicas na sua designação.

Na sua campanha contra o medo e o desencorajamento, o papa, conhecido como "Tata Vasco" ("papa Vasco") pelas populações autóctones, deu o exemplo de antigas figuras católicas como o monsenhor Vasco Vázquez de Quiroga, que não se resignou face às injustiças infligidas aos povos indígenas.

Este bispo combateu a violência então imposta pelos "Conquistadores" espanhóis aos índios Purepechas, denunciando terem sido "vendidos, humilhados, obrigados a vagabundear nos mercados para recolher os dejetos deitados por terra".

"Longe da resignação, colocou a sua fé em movimento, a sua vida, a sai compaixão" para "realizar iniciativas de amplitude face a uma realidade tão paralisante como injusta", disse o papa, muito aplaudido.

"Não somos nem pretendemos ser funcionários do divino, não somos nem nunca pretenderemos ser empregados de Deus, porque somos convidados a participar na sua vida, somos convidados a introduzirmo-nos no seu coração", exortou Francisco, que no sábado já tinha pedido aos bispos do país para não se comportarem como "príncipes" afastados dos sofrimentos e das injustiças.

O México é considerado um dos países mais perigosos do mundo, com 40 padres e seminaristas assassinados desde 2006. O estado de Michoacán e o vizinho estado de Guerrero são os mais perigosos para os religiosos.

A Igreja católica mexicana, a segunda mais importante do mundo, congrega cerca de 100 milhões de fiéis, mas a sua poderosa hierarquia tem-se mostrado dividida e integrada por um significativo setor "elitista", mesmo que a maioria dos prelados se comprometa em favor dos pobres.

Lusa

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