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Turquia quer operação terrestre na Síria e ONU prepara comboios de ajuda

A Turquia apelou esta terça-feira para uma operação terrestre com os seus aliados internacionais para acabar com a guerra na Síria, enquanto a ONU anunciou que comboios de ajuda estão a ser enviados para as cidades em estado de emergência.

Grupo de pessoas espera por autorização para passar a fronteira entre da Síria com a Turquia.

Grupo de pessoas espera por autorização para passar a fronteira entre da Síria com a Turquia.

© Ammar Abdullah / Reuters

"Se percebi bem, o Governo sírio aprovou o acesso a sete áreas sitiadas", disse Vanessa Huguenin, porta-voz do gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários .

Em Damasco, o enviado da ONU, Staffan de Mistura, disse que comboios de ajuda serão enviados quarta-feira para testar a vontade das partes beligerantes de permitirem a entrada de auxílio humanitário.

"É dever do governo sírio querer alcançar cada pessoa, onde quer que esteja, e permitir que as Nações Unidas entreguem ajuda humanitária", declarou, após uma reunião com o ministro das Relações Exteriores, Walid Muallem.

Fonte da organização humanitária Crescente Vermelho afirmou que os primeiros comboios terão por destino as aldeias xiitas de Fuua e Kafraya, sitiadas pelos rebeldes, no norte do país, e Madaya e Zabadani, cercadas pelo exército.

Segundo dados da ONU, cerca de 486.700 pessoas na Síria estão em áreas sitiadas, seja por forças do Governo ou por rebeldes, havendo relatos de mortes resultantes da fome ou da falta de tratamento médico.

No plano internacional, aumentou a tensão relativa aos bombardeamentos aéreos russos de apoio ao Presidente sírio, Bashar al-Assad, com a Turquia a classificar os ataques de "bárbaros".

Ancara vê a queda de Assad como essencial para o fim do conflito de cinco anos, que já matou mais de 260.000 pessoas na Síria, e é altamente crítica do apoio do Irão e da Rússia ao regime de Damasco.

A Arábia Saudita, outro crítico feroz de Assad, disse estar a postos para enviar forças especiais para a Síria, para que integrem operações terrestres contra o Daesh.

Entretanto, o ministro do Exterior iraniano, Mohammad Zarif, advertiu Riade para que não implante tropas na Síria, dizendo que, fazê-lo sem a autorização de Damasco (do qual o Irão é aliado), seria violar o direito internacional.

A ONU disse segunda-feira que cerca de 50 civis, incluindo crianças, morreram nos bombardeamentos a pelo menos cinco instalações médicas e duas escolas no norte da Síria.

A região em torno da cidade síria de Aleppo tem sido alvo de uma grande ofensiva anti-rebelde pelas forças do governo apoiadas por aviões de guerra russos, mas a Rússia nega ter atacado qualquer hospital, classificando os relatos de "acusações infundadas".

Entretanto, Staffan de Mistura e Walid Muallem reuniram-se na capital síria para tentar manter viva a proposta - anunciada em Munique na sexta-feira - de um "cessar-fogo" na Síria dentro de uma semana, mas Bashar al-Assad considerou "difícil" implementar uma trégua nesse tempo, por ser impossível "reunir todas as condições e requisitos numa semana".

Por seu lado, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos disse que a Turquia bombardeou hoje, pelo quarto dia consecutivo, posições curdas no norte da Síria.

Ancara acusa as forças curdas de vínculos ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que foi banido e trava uma luta de décadas contra a Turquia, e teme que os curdos criem um território curdo contíguo à fronteira no norte da Síria.

Nesse sentido, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, acusou hoje os combatentes curdos na Síria de integrarem "a legião da Rússia a trabalharem como mercenários", com o intuito de prejudicar os interesses da Turquia.

Já Hassan Nasrallah, chefe do movimento xiita libanês Hezbollah, que tem lutado ao lado das forças de Damasco, declarou hoje que a "vitória" era iminente e acusou a Arábia Saudita e a Turquia de arrastarem toda a região para uma guerra.

A Turquia tem ficado enfurecida pelos avanços curdos, centrando a sua raiva no apoio aéreo da Rússia, com Ahmet Davutoglu a afirmar que "esses aviões vis, cruéis e bárbaros fizeram cerca de 8.000 ataques desde 30 de setembro, sem fazer qualquer distinção entre civis e soldados, ou crianças e idosos".

Já a coligação liderada pelos Estados Unidos é acusada pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos de causar a morte a pelo menos 15 civis em ataques aéreos a Al-Shadadi, cidade na província de Hasakeh, nordeste da Síria, que é controlada pelo Daesh.

Lusa

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