sicnot

Perfil

Mundo

Dote dispara na China rural

O dote de casamento, pré-requisito essencial para selar o matrimónio na China rural, tem-se tornado um encargo demasiado grande para as famílias face à crescente exigência das noivas, segundo uma reportagem publicada num jornal estatal.

O dote de casamento, pré-requisito essencial para selar o matrimónio na China rural, tem-se tornado um encargo demasiado grande para as famílias face à crescente exigência das noivas, segundo uma reportagem publicada num jornal estatal.

O dote de casamento, pré-requisito essencial para selar o matrimónio na China rural, tem-se tornado um encargo demasiado grande para as famílias face à crescente exigência das noivas, segundo uma reportagem publicada num jornal estatal.

© Aly Song / Reuters

Em Xincai, aldeia rural da província de Henan, o 'preço de uma esposa' disparou nos últimos cinco anos de 66.000 yuan (9.000 euros) para mais de 100.000 yuan (13.750 euros), relata o Global Times.

"Em média, as famílias locais ganham apenas alguns milhares de yuan por ano na agricultura, pelo que juntar dinheiro para o dote leva muito tempo", explica aquele diário do Partido Comunista Chinês (PCC).

A escalada dos preços levou muitos homens a procurar trabalho nas prósperas cidades do litoral, como forma de amealhar dinheiro que baste para 'seduzir' as moças da terra.

No entanto, "muitos descobrem ao regressar que o que ganharam é insuficiente para encontrar uma mulher", lê-se no artigo.

Uma família de Xincai, por exemplo, terá já oferecido à pretendida do seu filho 20.000 yuan (2.750 euros) em prendas monetárias, mas ela "continua livre de se encontrar com outros homens", conta o Global Times.

"A única forma de selar o acordo é oferecer um montante avultado", acrescenta o jornal.

Mas o dote é apenas a última parcela de um investimento maior: primeiro, é necessário comprar uma casa; e a seguir obter os "três objetos dourados" - anéis, um colar e brincos de ouro.

Um residente de Xincai, identificado pelo Global Times como Xu, já fez as contas: "Encontrar uma nora leva muitas famílias à falência".

A 'vantagem negocial' das mulheres é também resultado de persistentes "tradições feudais" e três décadas da política de filho único, que geraram um excedente de 33 milhões de homens na China.

As estatísticas oficiais falam por si: no final de 2014, a China tinha cerca de 700 milhões de homens e 667 milhões de mulheres e a diferença, à nascença, era de 115,8 rapazes por 100 raparigas.

Segundo a tradição chinesa, são os pais que transmitem o nome da família à geração seguinte, enquanto o apelido das mães não passa para os filhos.

Como resultado, a maioria dos abortos feitos no país - 336 milhões desde 1971, segundo dados oficiais chineses - ocorreram com fetos do sexo feminino.

  • O fim do julgamento do caso BPN, seis anos depois
    2:26

    País

    O antigo presidente do BPN José Oliveira Costa tentou adiar o fim do julgamento principal do caso com um recurso para o Tribunal Constitucional. Apesar disso, a leitura do acórdão continua marcada para esta quarta-feira, quase seis anos e meio depois de os 15 arguidos se terem sentado pela primeira vez no banco dos réus.

  • José Oliveira Costa, o rosto do buraco financeiro do BPN
    3:04

    País

    José Oliveira Costa foi o homem forte do BPN durante 10 anos e tornou-se o rosto do gigantesco buraco financeiro. Manteve-se em silêncio durante todo o julgamento, mas falou aos deputados da comissão de inquérito, para negar qualquer envolvimento no escândalo que fez ruir o BPN.

  • Saída do Procedimento por Défice Excessivo marca debate no Parlamento
    1:40
  • Filhos tentam anular casamento de pai de 101 anos

    País

    O casamento de um homem de 101 anos com uma mulher com metade da idade, em Bragança, está a ser contestado judicialmente pelos filhos do idoso, que acusam aquela que era empregada da família de querer ser herdeira.