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Primeira ajuda humanitária chega à cidade sitiada de Muadamiya al-Sham, na Síria

Os primeiros camiões de ajuda humanitária entraram hoje na cidade sitiada de Muadamiya al-Sham, a sudoeste da capital síria de Damasco, divulgou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

© Omar Sanadiki / Reuters

A organização não-governamental precisou que a coluna de ajuda humanitária, composta por dezenas de veículos, transportava alimentos e outros bens essenciais.

O observatório também indicou que outras colunas de ajuda humanitária são esperadas nas cidades sitiadas de Al Zabadani e de Madaya, nos subúrbios de Damasco, e nas localidades de Fua e Kefraya, na província de Idleb (norte da Síria).

As cidades de Muadamiya al-Sham, Madaya e Al Zabadani estão cercadas pelas forças do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, e pelos respetivos aliados, enquanto Fua e Kefraya, de maioria xiita, estão sitiadas pela Frente Al-Nusra, ramo sírio da Al-Qaida, e por outras fações armadas opositoras.

Antes da entrada da ajuda humanitária, uma delegação do Crescente Vermelho Árabe Sírio (SARC), organização federada com a Cruz Vermelha Internacional, entrou hoje em Madaya com uma clínica móvel para avaliar os casos de doentes que precisam de ser transportados para hospitais fora da cidade, indicou a organização não-governamental.

O governo sírio autorizou na terça-feira a ONU a enviar ajuda humanitária para estas localidades sitiadas, mas também para as zonas de Kafr Batna, nos arredores de Damasco, e de Deir al-Zur, no nordeste do país, segundo divulgou, no mesmo dia, o porta-voz das Nações Unidas, Farhan Haq.

Este anúncio da ONU surgiu depois de uma visita a Damasco do enviado especial das Nações Unidas para a Síria, o veterano diplomata italo-sueco Staffan de Mistura.

Na capital síria, o diplomata reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Walid al-Mualem, e, depois do encontro, afirmou que a ONU ia tentar levar a partir de hoje ajuda às áreas sitiadas, uma ação que, segundo o enviado especial, iria testar a vontade do governo sírio.

As palavras de Staffan de Mistura não foram bem recebidas pelo governo sírio, que respondeu que não permitia que ninguém testasse o seu nível de seriedade.

Damasco acusou o diplomata de fazer declarações "completamente contraditórias" ao conteúdo das reuniões conjuntas realizadas.

As grandes potências internacionais envolvidas no dossiê sírio, nomeadamente a Rússia (aliada tradicional do regime sírio) e os Estados Unidos (apoiantes da oposição moderada síria), concluíram há cerca de uma semana na cidade alemã de Munique um acordo que previa uma trégua na Síria num prazo de uma semana, mas também um aumento da ajuda humanitária.

Segundo a ONU, cerca de 486.000 pessoas vivem nas 18 zonas cercadas no território sírio, a maioria por forças militares do regime.

Lusa

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