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Embaixador Luvualu de Carvalho compara os 15 ativistas angolanos a terroristas

O embaixador itinerante de Angola Luvualu de Carvalho comparou hoje os 15 ativistas, presos quando estavam reunidos em Luanda, a três norte-americanos que discutiam na Internet o uso de armas de destruição em massa nos Estados Unidos.

(Arquivo/Lusa)

(Arquivo/Lusa)

PAULO JULIÃO/LUSA

"Se essa reunião que os 15 angolanos organizaram acontecesse aqui nos Estados Unidos os serviços de segurança tinham adotado as mesmas medidas ou pior do que aquelas que foram tomadas pelas autoridades angolanas", salientou Luvualu de Carvalho, numa conferência sobre Angola que decorreu em Washington, referindo-se aos jovens presos em Luanda e acusados de tentativa de golpe de Estado.

O diplomata angolano argumentou que no dia 29 de agosto de 2015, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que três indivíduos tinham sido condenados a 12 anos de cadeia porque "estavam a falar na Internet" sobre as armas de destruição maciça contra o governo federal.

"Como é que três indivíduos podem atentar contra o maior país do mundo, os Estados Unidos, e 15 indivíduos não podem atentar contra o governo de Angola? Não é assunto para nós, os civis, discutirmos. Este é um assunto para as forças de segurança e para a justiça", disse Luvualu de Carvalho.

O embaixador respondia diretamente à denúncia do jornalista e ativista Rafael Marques, presente na mesma conferência, sobre o grupo de 15 angolanos detidos em junho de 2015 por "estarem a ler um livro".

"Não é verdade o que o Rafael diz, que os 15 angolanos foram presos porque estavam a ler um livro. Peço desculpa mas isso não é verdade. Estes angolanos foram presos depois de os nossos serviços de segurança terem executado um trabalho sério e concluíram que os planos que eles tinham em mente a preparação de atos de sublevação", disse o embaixador itinerante da República de Angola.

O embaixador itinerante e o jornalista e ativista participam na conferência "Perspetivas sobre a Transparência, Direitos Humanos e Sociedade Civil em Angola", organizada na capital norte-americana pelo National Endowment for Democracy (NED) e que reuniu também o subsecretário adjunto para os Assuntos Africanos e o embaixador Princeton Lyman, conselheiro do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Anteriormente, Rafael Marques tinha-se referido também ao caso de Marcos Mavungo, condenado a seis anos de cadeia pelo Tribunal de Cabinda e ao "Massacre do Monte Sumi", no Huambo, em 2015.

Para Luvualu de Carvalho é preciso dar "tempo à justiça para fazer o seu trabalho" e dirigindo-se a Rafael Marques afirmou que quando se discutem direitos humanos em Angola, o assunto não pode ser encarado como pessoal.

"Eu compreendo que o Rafael tem os seus sentimentos, que já foi condenado, e que ele pensa que foi injustiçado. Mas, quantas pessoas no mundo e aqui nos Estados Unidos foram condenadas e pensam que foram alvo de injustiça? O Supremo Tribunal (Angola) é que vai dizer se o julgamento (de Rafael Marques) foi injusto. Estes assuntos não podem ser discutidos com emoção", disse.

Lusa