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Mais de 60 hospitais apoiados por Médicos Sem Fronteiras atacados em 2015

Mais de 60 hospitais e clínicas apoiados pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Síria foram atacados em 2015 e quase 100 dos seus colaboradores foram mortos ou feridos, segundo um relatório da organização divulgado hoje em Paris.

O Hospital dos Médicos sem Fronteiras em Azaz dava assistência básica a 40 mil pessoas.

O Hospital dos Médicos sem Fronteiras em Azaz dava assistência básica a 40 mil pessoas.

© Osman Orsal / Reuters

Noventa e três ataques aéreos e disparos de mísseis atingiram em 2015 63 hospitais e clínicas apoiados pela MSF na Síria, matando ou ferindo 81 profissionais de saúde: a infraestrutura de saúde síria "tem sido dizimada" pela guerra, afirma a organização humanitária.

O relatório é divulgado dias depois de uma dessas unidades, na província de Idleb, noroeste da Síria, ter sido atingida por um ataque aéreo que matou pelo menos 25 pessoas.

"O ataque só pode ter sido deliberado. E foi feito provavelmente pela coligação liderada pelo governo sírio, que é a mais ativa na zona", disse a presidente da organização, Joanne Liu, numa conferência de imprensa em Genebra.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos afirmou suspeitar, depois de analisar o local, padrões de voo e tipo de aparelhos envolvidos, que o ataque foi realizado por aviões de combate russos, que apoiam as forças sírias. A Rússia nega qualquer envolvimento no ataque.

A organização confirmou por outro lado que as coordenadas daquele hospital não foram comunicadas ao governo de Damasco, por ter sido considerado que essa informação não só não garantia a proteção das instalações como podia torná-las um alvo.

A decisão de não comunicar as coordenadas foi tomada depois de "intensas discussões" entre os responsáveis da MSF e os diretores do hospital.

A MSF trabalha na Síria maioritariamente em zonas controladas por grupos opositores e sem autorização formal do governo de Damasco.

"Pedimos muitas vezes para trabalhar nos locais onde somos mais precisos, mas a resposta foi sempre negativa", explicou Isabelle Defourny, diretora de operações da organização.

A MSF apenas dispõe atualmente de três estruturas próprias na Síria - depois de três dos seus médicos terem sido raptados em 2014 no noroeste do país e libertados meses mais tarde -, dando o seu apoio a hospitais e clínicas existentes através do envio de material e de medicamentos.

No relatório, a organização afirma que, em 2015, as instalações de saúde que apoia em toda a Síria registaram 7.009 mortos e 154.647 feridos.

"155.000 feridos de guerra é qualquer coisa que nunca tínhamos visto em 44 anos de operações da MSF. A Síria é uma máquina de matar", disse Liu.

Mas "a situação real é muito provavelmente bem pior", acrescentou, precisando que os "70 hospitais e centros médicos apoiados pela MSF na Síria são uma pequena parte das estruturas médicas na Síria".

As mulheres e as crianças representam 30 a 40 por cento das vítimas, "sugerindo que as zonas habitadas por civis têm sido constantemente alvo de bombardeamentos aéreos e de outro tipo de ataques".

Lusa

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