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Corante injetável pode encolher tumores e reduzir a propagação do cancro de pele

Investigadores do Moffitt Cancer Center, nos EUA, demonstraram que um corante injectável, conhecido como PV-10, pode encolher tumores e reduzir a propagação do cancro da pele. «

Divulgação

Trata-se de Rosa Bengala, um corante solúvel em água utilizado para dar cor às células danificadas no olho. A solução foi reformulada e deu origem ao PV-10 que está a ser aplicada em casos de cancro de pele.

Os primeiros estudos clínicos mostram que a PV-10 pode aumentar a resposta imunitária em tumores de melanoma, assim como o fluxo de sangue.

A norte-americana Provectus Biopharmaceuticals Inc, responsável pela descoberta, apresentou um pequeno estudo com resultados prometedores.

Foram selecionadas 80 pessoas com melanoma em estado avançado A metade foi injetado o corante PV-10 diretamente nas lesões. Em apenas dois meses desapareceram sinais do melanoma.

De acordo com o Anais da Cirurgia Oncológica, citada pela Agência Reuters, um ano depois deste tratamento, 11% dos doentes continuavam sem sinais de cancro.

As lesões terão sido destruídas por dentro sem danificar, aparentemente, os tecidos saudáveis, garantem os investigadores. Quanto aos efeitos secundários, registaram-se apenas dor no local da injeção e formação de bolhas.

Está a decorrer, nesta altura, outro estudo que envolve 225 pessoas que servirá para testar a eficácia deste tratamento e comparar com outros, como a quimioterapia.

Os investigadores têm grades expectativas quanto ao PV-10. Espera que possa evitar a progressão do melanoma, impeça a doença de se espalhar, evite danificar outros órgãos e ajude os pacientes com cancro a viver mais tempo.

"Este é um dos casos de puro redirecionamento, em que usamos medicamentos que já existem há anos e, de repente, percebemos que podem ter um valor oncológico", diz o médico oncologista Vernon Sondak, do Moffitt Cancer Center em Tampa, na Florida.

Vernon Sondak responsável pela Oncologia Cutânea do Moffitt Cancer Center e quem lidera os testes para a Provectus Biopharmaceuticals Inc.

O potencial de Rosa Bengala no combate contra o cancro foi descoberto por acaso. O sal de sódio foi patenteado pela primeira vez em 1882 como um corante de lã e tem sido usado, há anos, para diagnóstico nos testes de icterícia em recém-nascidos e para detetar lesões oculares.

Em 1998, os cientistas que mais tarde fundaram a Provectus estavam à procura de um agente foto reativo seguro para uma investigação de lasers contra o cancro. Acabaram por tropeçar na Rosa Bengala que acabou por demonstrar ser capaz de atacar tumores quando injetada diretamente nas lesões como explicou, à Reuters, o diretor de tecnologia, Eric Wachter, um ex-cientista do Oak Ridge National Lab que ajudou a fundar a farmacêutica Provectus Biopharmaceuticals Inc.

Até que chegue ao mercado há ainda muito a fazer. São esperados resultados dos estudos só para o final de 2018 e a equipa responsável pelo novo fármaco não espera que a norte-americana FDA (Food and Drug Administration) a agência que regula o mercado dos medicamentos tome qualquer decisão antes de 2019.

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