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Kiribati estuda forma de elevar o solo para lidar com subida das águas

O Kiribati, no Pacífico Sul, está a estudar a possibilidade de, artificialmente, elevar o nível do solo para lidar com a subida das águas do mar, fenómeno provocado pelas alterações climáticas e que ameaça fazer desaparecer o país.

© David Gray / Reuters

O arquipélago, que integra 33 atóis coralinos e uma ilha vulcânica, com uma população de 103 mil habitantes, é um dos mais vulneráveis às mudanças climáticas, com uma altura média de dois metros acima do nível das águas do mar.

Segundo reporta hoje a agência noticiosa espanhola EFE, uma equipa de engenheiros dos Emirados Árabes Unidos (EAU), obreiros da edificação da maior ilha artificial no país, visitou Kiribati em janeiro para analisar o terreno e procurar "soluções técnicas e exequíveis" para a missão.

"Temos de encontrar estratégias de adaptação que possam ir mais além do que a simples migração. (...) Poderemos elevar o nível do solo, uma vez que uma ilha artificial não teria capacidade para suportar as marés altas e as tempestades", afirmou o Presidente de Kiribati, Anote Tong, à Rádio Nova Zelândia.

O projeto, que será estudado ao longo do ano em curso, tem um orçamento inicial estimado em 100 milhões de dólares (quase 90 milhões de euros) e insere-se num programa de busca de "soluções criativas" para o país promovido pelas autoridades locais, em que o material para fazer subir o nível do solo poderia ser dragado das lagunas internas.

A subida do nível das águas do mar, proveniente do degelo dos polos, consequência do aquecimento global, está a pôr em perigo o modo de vida da população.

Os aquíferos de água potável, por exemplo, estão praticamente todos contaminados com o sal marítimo, o que tem vindo a impossibilitar a atividade agrícola, enquanto os diques estão a começar a ceder à forte ondulação, cada vez mais frequente, e aos avanços do mar, com as consequentes inundações.

Apesar do compromisso mundial para travar as alterações climáticas e reduzir as emissões de carbono alcançado em dezembro último em Paris, o Presidente de Kiribati mostra-se cada vez mais descrente.

"A ciência continua a indicar que iremos acabar debaixo de água em menos de um século", sublinhou Anote Tong, alertando que, dentro de cinco anos, poderá começar a migração dos primeiros refugiados de um arquipélago devido às alterações climáticas.

O alerta de Anote Tong foi feito este mês na Conferência sobre as Consequências das Alterações Climáticas no Pacífico, que decorreu na cidade neozelandesa de Wellington, que apelou a donativos, públicos ou privados, para se estudarem "formas inovadoras" que tragam esperança "aos que já a perderam".

"Há luz ao fundo do túnel. O que pode ser visto como algo inalcançável e impossível poderá agora converter-se na solução para o terreno de Kiribati", sublinhou.

Kiribati, que em 2012 negociou a compra de 2.200 hectares de terreno em Vanua Levu (ilhas Fiji), também está a estudar outras propostas, incluindo a de transferir toda a população para cima de uma gigantesca plataforma flutuante, semelhante às utilizadas pelas companhias petrolíferas.

"As nossas autoridades estão a estudar construir um terreno artificial porque os nossos vizinhos (do Pacífico) não estão dispostos a aceitar-nos nos seus terrenos a maior altitude", afirmou Claire Anterea, responsável da organização ambiental de Kiribati "350".

Embora mostre algumas reticências em relação ao projeto de elevação do solo, Claire Anterea indicou que a aceitaria se essa for uma "boa solução para a sobrevivência" da população.

"Investiria o dinheiro na compra de terras na Austrália ou na Nova Zelândia para construir locais para colocar a população. Creio que seria a ideia mais acertada do que gastar milhões na edificação de terrenos artificiais que estarão sempre fragilizados. (...) As ondas são cada vez mais fortes e mais altas e as tempestades também estão a ter cada vez maior intensidade", sublinhou Anterea.

O caso de Kiribati, porém, não é o único no mundo, pois outras nações insulares do Pacífico, como as ilhas Marshall, Tuvalu e Tokelau, confrontam-se com idêntico problema.

Lusa

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